Sem acertoGrupo de presos gesticula sobre o telhado da Casa de Detenção de Sorocaba: autoridades recusam condiçõesA rebelião na Casa de Detenção de Sorocaba (SP) completou 27 horas às 18 horas de ontem, sem perspectiva da libertação dos mais de 400 reféns. São, na maioria, mulheres e crianças, que ficaram retidas no interior do presídio, na tarde de anteontem, quando visitavam parentes, entre os 856 presos da penitenciária. Outros 18 reféns são funcionários da cadeia, que fica no acesso da Rodovia Castelo Branco a Sorocaba.
O coordenador da comissão de negociação da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, Albino Costa, assumiu as negociações no início da tarde, negando-se a atender a principal reivindicação dos rebelados, que exigiam um carro-forte para a fuga dos líderes.
Até a tarde de ontem, o saldo da rebelião era de dois mortos - um preso e uma visitante - e pelo menos dois feridos, um deles o diretor do presídio, Willo Rogério, agredido no início do motim. Além de um grupo de 30 visitantes liberado na noite de ontem, mais cinco mulheres foram libertadas ontem. Os rebelados exigiram alimentos e roupas para as crianças. A direção do presídio forneceu 2 mil pães, 500 litros de leite e 10 pacotes de fraldas descartáveis.
DisfarceA rebelião começou domingo no horário de visitas, quando um grupo de presos tentava fugir usando perucas e roupas de mulher, misturado com os visitantes. Pela portaria, tinham passado, durante todo o dia, cerca de 1,2 mil visitantes. Um agente penitenciário percebeu a fuga e trancou o portão. Os presos atiraram contra os policiais militares que estavam sobre a muralha. Eles revidaram. O preso Cláudio Sodré, de 21 anos, foi morto com um tiro na cabeça.
Também baleada, morreu a caminho do hospital a visitante identificada como Estela Migoto, de 22 anos, mulher de outro detento que participava da fuga. Segundo a polícia, Estela, que poderia estar usando documentos falsos, teria passado armas para os presos. Em seguida, eles renderam os 18 agentes penitenciários, que trabalhavam desarmados, e assumiram o controle da prisão. Apenas crianças e doentes foram liberados. Cálculos dos funcionários davam conta de que 112 homens, 213 mulheres e 82 crianças continuavam retidas até a tarde de ontem no presídio.

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