Presos com tornozeleiras voltam a praticar crimes
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terça-feira, 02 de agosto de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 

Assalto, tráfico de drogas, explosão de caixas eletrônicos e assassinatos. Esses são alguns dos crimes praticados por presos monitorados por tornozeleira eletrônica nos últimos meses no Estado. Apesar da reincidência ser considerada baixa pelas autoridades, aproximadamente 3% do total de detentos com tornozeleiras instaladas, as notícias de crimes praticados por monitorados são cada vez mais comuns. Desde outubro de 2014, cerca de 70 presos das regiões Norte e Norte Pioneiro já perderam o benefício da tornozeleira por reincidência no crime.
Somente em julho, dois detentos monitorados morreram em trocas de tiros durante assaltos em Londrina. O caso mais recente ocorreu no dia 19. Dois homens encapuzados tentaram assaltar uma farmácia na zona norte da cidade e foram surpreendidos por um guarda municipal que estava de folga. Um dos criminosos, que estava armado, foi atingido com um tiro no peito após disparar contra o agente. O rapaz de 23 anos conseguiu correr por cerca de três quadras, mas não resistiu aos ferimentos. Sem documentos, ele foi identificado pela tornozeleira eletrônica.
No dia 3, outro preso monitorado, de 28 anos, foi morto por um policial civil de folga após uma tentativa de assalto na Avenida Dez de Dezembro, na Vila Casoni (área central). Ele e um comparsa abordaram uma mulher e anunciaram o assalto. Com uma arma na mão, um dos bandidos foi surpreendido e alvejado pelo policial. Na sequência, constatou-se que a pistola utilizada no assalto era de brinquedo. O rapaz chegou a ser socorrido, mas morreu dentro da ambulância do Siate.
Se por um lado a tecnologia aumenta as chances de ressocialização do preso, evitando o contato de detentos de pouca periculosidade com integrantes de facções, e contribui para reduzir a superlotação nas cadeias, a maior liberdade é um convite para o retorno à criminalidade. Em janeiro, um homem que usava tornozeleira eletrônica foi preso em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), por suspeita de matar um policial militar.
Maurício José Sanchez, diretor do Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), informa que desde outubro de 2014, quando a tecnologia começou a ser usada na região, 2.081 presos de Londrina e outras 32 comarcas judiciárias das regiões Norte e Norte Pioneiro já receberam as tornozeleiras. Deste total, 1.260 já tiveram os equipamentos retirados - a maioria por ter cumprido a pena - e 821 continuam sendo monitorados.


