Curitiba - A Polícia Civil prendeu ontem, na região metropolitana de Curitiba (RMC), cinco pessoas suspeitas de falsificar diplomas de conclusão do ensino fundamental e médio, na modalidade de educação de jovens e adultos a distância. Conforme o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), duas instituições, a Paraná Cursos e a Interathyvo, emitiam documentos falsos a alunos que buscavam concluir mais rapidamente os estudos, cobrando entre R$ 1,3 mil e R$ 1,7 mil. As investigações da "Operação Volta às Aulas" tiveram início há oito meses, a partir de uma denúncia anônima, e podem colocar em xeque certificados entregues desde 2004.
De acordo com o delegado-adjunto do Nurce, Victor Loureiro, as empresas estavam habilitadas apenas a ofertar cursos livres, voltados à preparação para exames específicos, como concursos. No entanto, recrutavam estudantes interessados em supletivos, que tão logo faziam seus cadastros já conseguiam agendar as datas das provas, ou seja, sem sequer assistir às aulas. "Para se ter uma ideia, uma aluna marcou para uma semana depois. Eram 60 questões em papel sulfite sem timbre, com direito a consulta. A fraude era gritante", afirmou. A legislação prevê um tempo mínimo de um ano e meio para conclusão do ensino médio e de dois para o fundamental.
Como as companhias não tinham autorização para operar na área, contavam com a cobertura do Instituto Brasileiro de Ensino a Distância (Ibed), que emitia os diplomas e encaminhava o processo para a Secretaria da Educação (Seed). "Era tudo falso. A aluna que prestou depoimento nunca nem entrou no Ibeb. Lá eles montavam a pasta, com provas on-line preenchidas pelos próprios funcionários", explicou Loureiro. O delegado reiterou, contudo, que a Seed não sabia do esquema, uma vez que recebia a documentação pronta.
O dono da Paraná Cursos, Fernando Rech Ribeiro Felix, de 30 anos, seguia foragido ontem. As outras pessoas envolvidas, todas detidas, são: Nagib Riechi Filho, de 51, dono da Interathyvo e apontado como chefe da quadrilha; Gisele Ferreira de Andrade, de 35, e Inês Costa, de 62, que agiam na captação de clientes de Nagib; e André Meneses, de 41, e Janaina Melissa Lopes, de 38, funcionárias do Ibed. Foram cumpridos ainda 26 mandados de busca, na capital, em Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais, Piraquara e Pinhais. Todos responderão pelo crime de falsificação de documento público, falsidade ideológica, estelionato e associação criminosa.
Pelo menos 17 alunos que se beneficiaram da fraude ainda serão ouvidos pelo Nurce e poderão responder por uso de documento falso. Procuradas pela FOLHA, a Interathyvo e a Paraná Cursos não atenderam aos telefonemas. No Ibed, a informação repassada foi de que somente o responsável estava autorizado a falar sobre o caso. Até o fechamento desta edição, ele não retornou a ligação.

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