Salvador, 05 (AE) - Revoltados com a proibição do uso de saia por parte das visitantes, cerca de 100 internos da Penitenciária Lemos Brito entraram em greve de fome, com mais de mil detentos do Presídio Salvador, que reivindicam mais rapidez no julgamento de seus processos nas varas criminais. Na Penitenciária Lemos Brito, o clima ficou tenso depois que as visitantes, entre as quais quatro ex-detentas, protestaram ao saberem do teor da portaria, proibindo saias e blusas decotadas, bem como sandálias de salto alto, tipo plataforma, e tênis de sola larga, que, segundo os responsáveis pela segurança, são utilizados para transportar drogas ou objetos cortantes como estiletes e serras.
A direção da Penitenciária determinou também que os internos passem a usar apenas o fardamento para facilitar a identificação. A nova orientação irritou os presos, que não poderão mais usar as roupas que costumam ganhar de presente durante as visitas.
A presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputada estadual Moema Gramacho (PT), levou aos diretores do presídio e da penitenciária uma pauta de reivindicações, solicitando, entre outros itens, a revogação da portaria, possibilitando a volta das saias e decotes durante os horários de visita.
O diretor da penitenciária, André Oliveira, afirmou que a proibição atende a um pedido das visitantes idosas, que se sentem constrangidas, diante da moda ditada pelas mais liberais. "O local é repartição pública e área de segurança, não fica bem chegar de microssaia e de top, elas devem se dar ao respeito e virem trajadas de forma apropriada", disse Oliveira.
O diretor do Presídio de Salvador, Hildomar Rodeiro, afirmou que a sua situação é pior porque são mais de mil homens sem se alimentar. Eles estão exigindo mais rapidez no julgamento dos processos que se encontram parados em diversas Varas Crimes.
O movimento começou na sexta-feira, quando os detentos do Presídio Salvador e do Pavilhão 2 da penitencíaria Lemos Brito recusaram a alimentação, embora se neguem a conversar com os diretores, que ficaram de plantão, hoje, para tentar negociar.
O Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia distribuiu nota alertando para a lotação dos presídios baianos. Segundo a direção do Sindicato, o Presídio de Salvador, com capacidade para 474, tem atualmente 1030 presos, enquanto a Penitenciária Lemos de Brito, com 935 presos, tem lotação para 834, mas o diretor André Oliveira rebate, afirmando que hoje há 906 presos e a capacidade da penitenciária vai até mil detentos.

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