Brasília - Dois detentos foram assassinados dentro de estabelecimentos prisionais do Ceará no último final de semana. A primeira morte aconteceu no sábado, em Jaguaruana. Francisco Ernani da Silva, 36 anos, esperava por seu julgamento na cadeia pública da cidade, localizada a cerca de 180 quilômetros da capital, Fortaleza. Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima foi esfaqueada após discutir com outro interno.
A Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) informou que o agressor usou uma espécie de faca artesanal e o homicídio aconteceu durante o horário de visita. A briga entre os dois presos gerou uma confusão no interior da unidade, mas o princípio de motim foi contido pelo Comando Tático Rural (Cotar) e por policiais de Jaguaruana. Dois presos foram identificados como parceiros no homicídio e encaminhados à Delegacia de Morada Nova.
O segundo caso ocorreu na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a Sejus, presos alertaram os agentes penitenciários que, ao chegarem à cela, encontraram um preso desacordado, com escoriações pelo corpo. Levado à enfermaria, o detento não resistiu aos ferimentos.
Onze detentos já prestaram depoimento e a Sejus espera receber o laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) determinando a causa da morte. O preso respondia por furto, roubo, extorsão, falsidade ideológica e peculato.
Segundo a secretaria, a população carcerária cearense chega a quase 21 mil presos, dos quais 10 mil estão no sistema provisório, ou seja, ainda não foram julgados. O 1º Censo Penitenciário Estadual, divulgado pela secretaria na última sexta-feira, aponta que 37% da população carcerária cearense tem entre 22 e 29 anos. E ao contrário do senso comum, a maioria de homens e mulheres não cometeu nenhum ato infracional na adolescência.

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