São Paulo, 17 (AE) - Os 138 presos da cadeia de Cotia, na Grande São Paulo, destruíram na manhã de hoje os cadeados de seis celas, arrancaram grades e ameaçaram de morte uma detenta que estava esperando transferência para um presídio feminino. Com a chegada de policiais civis e militares e do helicóptero da Polícia Civil, os presos - autores de assaltos e assassinatos - concordaram em conversar com o delegado Luiz Alberto de Souza Ferreira, seccional de Cotia.
A detenta que estava numa sala ao lado da carceragem central, apesar das ameaças, nada sofreu. Os presos reclamaram de superlotação, falta de higiene e reivindicaram assistência médica e odontológica. A cadeia tem 18 celas mas 12 estão interditadas pois foram destruídas nas últimas rebeliões. A capacidade é para abrigar 108 detentos. O delegado seccional conseguiu com o secretário-adjunto da Administração Penitenciária, Mário Jordão Toledo Leme, 40 vagas na Casa de Detenção.
Os presos com penas maiores a cumprir começaram a ser transferidos no fim da tarde de hoje. Durante a conversa com a comissão de detentos, Souza Ferreira explicou que a situação de superlotação deverá ser "amenizada" com a inauguração, em maio
do Centro de Detenção Provisória que fica na rodovia Raposo Tavares. A obra é da Secretaria da Administração Penitenciária e está sendo concluída. "Nosso objetivo é mandar os presos de Cotia para o Centro", disse. "Assim, teremos tempo para reformar a carceragem e recuperar as 18 celas".
Souza Ferreira disse ainda que sua seccional administra cinco cadeias na região de Carapicuíba, com 750 detentos. "A superlotação é nosso maior problema". (Renato Lombardi)

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