Presos acusados de matar Anghinoni
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Lucinéia Parra 
A Polícia de Paranavaí prendeu, na manhã de ontem, três acusados de envolvimento na morte de Eduardo Anghinoni, assassinado no dia 29 de março, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte (113 quilômetros a noroeste de Paranavaí). Eduardo era irmão do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região, Celso Anghinoni. Os presos são Ivo Lopes Furquim, 50 anos, Jair Firmino Borracha, 55, e Osnir Sanches, 43. Borracha é o principal suspeito de envolvimento no crime. Ele foi reconhecido por uma testemunha - um sem-terra que a polícia não divulgou o nome - ontem à tarde, como sendo o homem que foi visto cerca de uma hora antes do assassinato de Eduardo, rondando o assentamento. Ele também foi reconhecido como o homem do retrato falado divulgado pela polícia mês passado.
A prisão dos três foi feita por determinação judicial expedida, na última terça-feira, pela juíza Elizabete Khater, da comarca de Loanda. Na casa de Furquim, em Paranavaí, a polícia encontrou uma carabina 22, duas espingardas calibre 12 e um revólver calibre 38. Já na casa de Borracha, em São João do Caiuá, a polícia encontrou um revólver calibre 38. No escritório da empresa de vigilância de Osni Sanches, a polícia encontrou um colete à prova de bala, um soco inglês e uma arma de brinquedo.
De acordo com o delegado Luiz Norberto Canhoto, responsável pelas investigações, os três foram presos por força de mandado de prisão temporária. Borracha e Sanches respondem inquérito pelo assassinato do trabalhador sem-terra, Sebastião Camargo Filho, 61 anos, morto no dia 7 de fevereiro, durante operação de retirada dos sem-terra da Fazenda Boa Sorte, em Marilena. Sanches é acusado de ser o mandante do crime e Borracha, de ter disparado os tiros contra Camargo Filho.
Os três negaram ontem qualquer envolvimento no assassinato de Eduardo Anghinoni. Conforme Canhoto, o próximo passo da investigação será o encaminhamento dos dois revólveres calibre 38 apreendidos com Borracha e Furquim e de um terceiro revólver também calibre 38 de propriedade de Sanches para um exame de balística. Através do exame vamos poder comparar com os projéteis encontrados no local do crime que está sob nosso poder, disse. Dois advogados da União Democrática Ruralista (UDR) acompanharam a apresentação dos acusados à imprensa, ontem à tarde. Além de cinco investigadores da Polícia de Paranavaí, também participaram da operação de prisão dos três acusados, quatro policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).


