Salvador, 25 (AE) - A Delegacia de Crimes contra a Administração Pública da Bahia prendeu hoje três acusados de integrar uma quadrilha que falsificava e vendia autorizações para a extração, transporte e comercialização de madeira nobre da mata atlântica no sul do Estado. Um delegado de polícia e dois agenciadores foram detidos. Mas há, pelo menos, outras nove pessoas acusadas de envolvimento nas irregularidades, entre elas dois patrulheiros rodoviários federais, fiscais da Secretaria da Fazenda e comerciantes da região. Segundo a polícia, a fraude ocorria há pelo menos 15 anos e foi denunciada ontem no "Fantástico".
A quadrilha falsificava as notas fiscais emitidas pela Secretaria da Fazenda que indicavam a origem legal da madeira. No documento, o carimbo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) autorizando o corte de árvores, inclusive as ameaçadas de extinção, também era fraudado. Uma rede de postos fiscais da Polícia Rodoviária Federal situados na BR-101 (Rio-Bahia) e a Delegacia de Polícia de Mascote, também participariam do esquema
liberando a madeira mediante o pagamento de propina paga pelos caminhoneiros que transportavam a carga. Um desses camioneiros, arrependido, decidiu denunciar o esquema a uma equipe do "Fantástico", da Rede Globo.
O caminhoneiro permitiu que um cinegrafista com uma câmera escondida filmasse o pagamento de propina visando a liberação da carga. Primeiro, denunciou os agenciadores Daniel Silva e Valdeck de Jesus como as pessoas que entram em contato com motoristas de caminhão em postos de gasolina de beira de estrada para oferecer o esquema. Em seguida, com uma carga de 1.500 estacas de baraúna, árvore nobre, protegida pelo Ibama, o camioneiro passou por um posto da Polícia Rodoviária do município de Camacã e pagou R$ 200,00 para os patrulheiros, Abraão Vaz e Jerdison Ribeiro. Depois, deixou mais R$ 50,00 com o delegado de Mascote, Luís Augusto dos Santos, para que a carga seguisse sem problemas.
Finalmente, num posto fiscal do município de Mucuri, o caminhoneiro comprou uma nota fiscal falsa por R$ 400,00, passando tranquilamente com a carga irregular. O delegado Ribeiro e os agenciadores Silva e Jesus foram presos pelo delegado Gilson Prata, titular da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública. Os três confessaram tudo hoje de manhã e apontaram um homem conhecido por Nei como o chefe da quadrilha. Prata disse que já sabe onde encontrar o suspeito que deve ser preso nos próximos dias. Já os patrulheiros Vaz e Ribeiro foram afastados de suas funções por 60 dias e serão investigados.
Prata designou o delegado Vinícios Brandão e uma equipe de agentes para apurar as atividades das quadrilhas fraudadoras no sul da Bahia.

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