Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 69 pessoas, entre elas 29 policiais acusados de facilitar o contrabando de carros usados na região de fronteira, além de receberem propina para informar ações que seriam desenvolvidas para coibir crimes. Eles foram o alvo da Operação Láparos, deflagrada pela PF no Paraná, com ramificações em outros cinco estados.
Além das prisões já realizadas até o final da noite de ontem (36 em Guaíra, 5 em Londrina, 8 em Maringá, 3 em Foz do Iguaçu e 17 em Cascavel), outros 39 mandados de prisões preventivas (4 em São Paulo, 3 em Mato Grosso do Sul, 3 em Minas Gerais, 1 em Rondônia e 1 em Mato Grosso, e outras 27 em cidades do Paraná) e 150 mandados de busca e apreensão também seriam cumpridos. Todos foram expedidos pela Justiça Federal em Guaíra e Umuarama. A PF deve divulgar o balanço final da operação nesta sexta-feira.
Segundo as investigações que duraram 14 meses, entre os policiais que atuavam no Paraná estão 29 PMs, 13 policiais civis e um da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos no esquema (29 já foram presos). Durante mais de um ano de investigação, outras 202 pessoas também foram detidas, além da apreensão de 3 milhões de pacotes de cigarros, 6,5 toneladas de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai, 19 caminhões, 76 veículos e 13 embarcações.
Segundo o Superintendente Regional da PF no Paraná, José Alberto Iegas, esta ação sinaliza reforço no combate ao crime organizado e à sua capacidade de infiltração nos poderes públicos por meio da corrupção de seus agentes. ''Os policiais presos serão entregues às suas corporações. Os demais presos serão recolhidos em cada região que indicará penitenciárias, cadeias ou delegacias para o cumprimento das prisões preventivas, também à disposição da Justiça Federal em Guaíra''.
Segundo informações da PF a operação também foi desencadeada em outros 33 municípios do Paraná: Terra Roxa, Iporã, Francisco Alves, Mercedes, Vera Cruz do Oeste, Umuarama, Cruzeiro do Oeste, Tuneiras do Oeste, Icaraíma, Cafezal do Sul, Tapejara, Douradina, Ivaté, Lidianópolis, Faxinal, Santa Terezinha de Itaipu, Missal, Medianeira, Matelândia, Doutor Camargo, Terra Boa, Santa Fé, Astorga, Cianorte, Paiçandu, Assis Chateubriant, Corbélia, Formosa do Oeste, Tupassi, Toledo, Ubiratã, Marechal Cândido Rondon e Ouro Verde do Oeste.
Cerca de 600 policiais federais do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e São Paulo participam da operação.
Órgãos
Segundo a assessoria da Sesp, o órgão colaborou com a operação, fornecendo nomes das pessoas envolvidas e ajudando em todas as informações requisitadas. A Corregedoria da Polícia Civil também informou que acompanhou todos os procedimentos e que, posteriormente, vai punir os policiais civis envolvidos no esquema criminoso.
Em nota, a Polícia Militar (PM) informou que concorda com as medidas adotadas pela PF, e que está acompanhando a apresentação dos policiais presos. A PM ainda destaca que ''que seus princípios não podem ser manchados por alguns poucos integrantes que maculam o bom nome e a imagem desta instituição''. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados PF.

Imagem ilustrativa da imagem Presos 29 policiais envolvidos em corrupção no PR
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