Presos 14 acusados de formação de cartel de combustível em Londrina
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Reportagem Local 
Quatorze pessoas de Londrina e região foram presas acusadas de envolvimento em crimes de formação de cartel para estabelecer preço alto na venda de combustíveis, sonegação fiscal, corrupção, estelionato e crime econômico. Todos têm relação direta com o setor de combustíveis da região.
A operação, intitulada Medusa III e coordenada pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, foi deflagrada às 6 horas de ontem. Foram mobilizados 150 policiais e agentes da Receita Estadual, Ministério da Justiça e Ministério Público. Além das prisões, houve apreensão de documentos, computadores, celulares e armas. Ao todo foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão, e prisão temporária.
''Essa ação foi resultado de investigações que já vinham sendo realizadas e que agora conseguiram desmantelar essa quadrilha que atuava na região de Londrina. O setor de combustíveis é o maior contribuinte estadual e então, além de lesar o próprio consumidor, também lesava o Estado'', afirmou o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, em entrevista coletiva na sede da 10 Subdivisão Policial (SDP).
Entre os presos estão donos de postos de combustíveis e da distribuidora local OilPetro. ''Temos informações que eles ameaçavam donos de postos locais para participar do esquema. Na investigação contamos com a denúncia de ex-proprietários de postos em Londrina que se mudaram por não aguentar a pressão'', informou o delegado Marcus Vinícius Michelotto, coordenador das investigações e da operação realizada ontem. Os dois irmãos e sócios da empresa distribuidora, acusados de liderar a formação do cartel - Djalma Eugênio Guarda e Mauro Cezar Guarda -, que estavam foragidos, foram presos à tarde quando tomavam banho em uma cachoeira na Chapada dos Guimarães (MT). A informação é da Secretaria da Segurança Pública do Paraná.
Também foi preso o proprietário de uma gráfica, Rodrigo Werner Silva, acusado de produzir e vender notas fiscais falsas. ''São notas que não eram autorizadas pela Receita Estadual e que portanto não eram tributadas'', destacou Delazari. Ele não descartou o envolvimento de agentes públicos, possivelmente do setor de fiscalização, no esquema. ''As investigações vão continuar. A fiscalização deve aumentar, até porque a tendência quando se tem uma operação como essa é haver adulteração no combustível e nós não poderemos deixar isto acontecer'', disse.
Segundo o delegado Michelotto, na região há dois grupos responsáveis pela distribuição de combustíveis e que, apesar de não terem uma boa relação, combinavam os preços que seriam repassados aos consumidores. ''Eram dois grupos, um liderado pela família Guarda e outro por Sérgio (Góes de Oliveira) e Emílio (Sérgio Santaella).'' Até o momento, de acordo com o delegado, foram investigados 28 postos envolvidos no esquema, dos 100 que ele estima que existam na região.


