Presos 10 acusados de corrupção em hospitais
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terça-feira, 16 de setembro de 2003
Karine Rodriguese Lucia Martins<br> Agência Estado 
Rio - O cerco à máfia que atua nos hospitais federais do Rio foi reforçado ontem com a prisão de 10 suspeitos de integrar um esquema de corrupção na prestação de serviços de lavanderia. Foi a primeira desde abril, quando o Ministério da Saúde decidiu reforçar investigações em curso há mais de três anos. No início da manhã, agentes da Polícia Federal surpreenderam oito funcionários da empresa Brasil Sul Indústria e Comércio Ltda e dois do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), lotados no setor de rouparia, usando notas superfuradas.
Três veículos da empresa, que também presta serviço para o Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) e Hospital do Andaraí, foram apreendidos. Ao contrário dos outros dois, este último foi municipalizado.
A fraude consistia no aumento abusivo do número de toneladas de roupas limpas. A Brasil Sul cobrava por mais peças do que realmente lavava, contando com a ajuda de funcionários corruptos que exageravam na pesagem. A detenção ocorreu quando uma quantidade de roupas inferior à registrada na fatura da empresa era entregue no HSE. O esquema também era realizado no Into, onde o diretor da unidade, Sérgio Côrtes, já recebeu sete ameaçadas de morte depois que passou a revisar contratos e serviços firmados pelo instituto.
Durante a operação, o delegado responsável pelo caso, Daniel Brandão, também constatou a infração das normas de controle bacteriológico. A entrega de roupas limpas e o recolhimento das sujas eram feitos em um mesmo veículo. Um dos três carros apreendidos vai permanecer retido na PF. Já os funcionários foram liberados após prestar informações.
Cinco grupos de trabalho formados por técnicos do ministério e dos próprios hospitais conduzirão a reorganização das unidades. O secretário de Atenção à Saúde do ministério, Jorge Solla, anunciou que novas sindicâncias serão abertas nos HSE, HGB, e Hospital de Cardiologia de Laranjeiras.
Funcionários da Brasil Sul também podem estar ligados a irregularidades no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into). Em maio, dois funcionários terceirizados foram detidos dentro do centro cirúrgico da unidade com duas sacolas de material hospitalar furtado do instituto. Com eles, a PF encontrou notas fiscais frias da Brasil Sul, usadas na revenda do material para hospitais públicos e privados do Estado. Embora atualmente preste serviço de lavanderia, a empresa já comercializou material hospitalar. Durante 1995 e 1998, o Into foi um dos clientes da Brasil Sul.


