Preso teve coração arrancado e assado em um churrasco
Um dos presos mortos durante a rebelião que acabou ontem em Ribeirão Preto teve seu coração arrancado, assado em um churrasco e comido com pinga, dentro da unidade.
Os dois detentos - Carlos Alberto Teixeira Almeida Teixeira, o Neto, e Luciano Rodrigues de Souza, o Teta - se opunham ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nós recebemos essa informação de um agente penitenciário que estava como refém dentro da penitenciária. O coração foi assado e comido pelos presos, que também beberam a pinga que havia no local, afirmou o tenente-coronel da Polícia Militar Amilton Jair Módulo.
Segundo ele, durante a trégua nas negociações - entre 22h30 de anteontem e 7 horas de ontem -, via-se uma fumaça subir do interior da penitenciária, que provavelmente era o churrasco.
Módulo disse que os dois detentos tiveram ainda as suas cabeças decapitadas e uma delas ficou exposta dentro da penitenciária, enfiada numa espécie de estilete. O estado dos corpos era assustador. Eles foram muito maltratados. Os olhos deles foram arrancados, além das mãos, que também foram decepadas, disse.
O policial afirmou que os detentos, revoltados, gritavam que os dois presos não mereciam viver. Foi uma das piores cenas que vi em meus 28 anos de carreira. Nunca havia presenciado nada com tanta brutalidade e violência, afirmou.
Os dois corpos só foram retirados da penitenciária por volta das 12h30 de ontem - as mortes ocorreram após as 22h30 de anteontem -, quando os agentes penitenciários, escoltados pela tropa de choque, realizaram uma revista geral em todas as celas.
O advogado de alguns detentos que estão presos na Penitenciária de Ribeirão, Jerônimo Ruiz Andrade Amaral, afirmou que o PCC não tem envolvimento direto com a rebelião ocorrida na unidade. Tudo o que se faz hoje em dia é PCC. Eles (a administração da penitenciária) procuram deslocar a relação da má administração com a rebelião. Agora todo mundo vai jogar a culpa no PCC, porque não querem saber o porquê do ocorrido, quais as arbitrariedades que estão sendo cometidas aqui dentro, afirmou Amaral. (A.F.)





