São Paulo - A polícia prendeu um homem suspeito de provocar o incêndio que atingiu no sábado a favela de Paraisópolis, na zona oeste paulistana. O acusado, Matheus Rodrigues da Silva, de 20 anos, teria iniciado o incêndio em um depósito de materiais recicláveis, na Rua Herbert Spencer.
A prisão foi confirmada na manhã de ontem pela Secretaria da Segurança Pública. Policiais militares detiveram Silva por volta das 17h de sábado, pouco depois de o fogo se espalhar pela área. O jovem inicialmente disse aos PMs que havia colocado fogo em fios de cobre, segundo a secretaria. Depois, no distrito policial, ele negou ter causado o incêndio e atribuiu o fogo a um curto-circuito.
De acordo com a secretaria, Silva tentou fugir do local, mas foi contido por moradores, que tentaram linchá-lo. Ele deve responder por crime contra a incolumidade pública.

DESTRUIÇÃO
O incêndio na favela, uma das maiores da capital, ocorreu no fim da tarde de sábado. As chamas se concentraram em uma área onde há mais barracos de madeira, diferentemente de boa parte de Paraisópolis, onde predominam casas de alvenaria. Cerca de cem moradias foram destruídas.
Segundo o depoimento de moradores, um jovem colocou fogo em fios para retirar cobre, as chamas atingiram o barracão onde ficava o ferro-velho e se espalharam por uma área de mil metros quadrados. "Só vi gente gritando, correndo, tentando carregar fogão, geladeira", conta a dona de casa Maria Albertina, moradora de Paraisópolis há 15 anos. "Todo mundo ficou desesperado." Ela voltava do supermercado quando viu as chamas e a correria dos moradores da área atingida. O incêndio começou por volta das 17h e foi controlado às 20h30. O Corpo de Bombeiros enviou 15 carros para o local. Sessenta integrantes da corporação trabalharam no combate ao fogo.
Alguns barracos foram totalmente destruídos e só sobraram escombros. Não há informações sobre vítimas do incêndio, mas os moradores relatam que uma pessoa caiu do telhado e sofreu ferimentos ao tentar apagar as chamas. Também contam que, antes de ser levado por policiais, o jovem que teria iniciado o incêndio apanhou de outros moradores. Moradores disseram ter recebido colchões e cestas básicas, mas aguardam mais ajuda para refazer a vida. Até o fim da manhã de ontem, não havia informações da Defesa Civil sobre o número de famílias desalojadas e desabrigadas.

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