São Paulo - A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu na quinta-feira o suspeito de ser o autor dos disparos que mataram três servidores do campus da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) em Rondonópolis (230 km de Cuiabá) há uma semana. Segundo a polícia, Wilson Francisco da Silva, 34, confessou o crime e disse que matou para roubar. A informação foi dada ontem pelo delegado regional João Pessoa, que investiga as circunstâncias da emboscada.
A pró-reitora Soraiha Miranda de Lima, 41, o professor de zootecnia Alessandro Luís Fraga, 33, e o prefeito do campus, Luís Mauro Pires Russo, 44, foram mortos ao serem baleados. Eles estavam em um carro estacionado em frente à casa de Soraiha quando foram abordados por um homem encapuzado, que atirou cinco vezes.
O delegado afirmou que a investigação encontrou indícios do envolvimento de Silva, também conhecido como ''Russo'', nas mortes dos servidores. As pistas, segundo ele, foram obtidas por meio do depoimento de testemunhas e do reconhecimento de uma camiseta que ele usou no dia do crime.
''Complexo e delicado'' - A polícia, no entanto, ainda trabalha com outras hipóteses em sua investigação. De acordo com o delegado regional, o caso é ''complexo e delicado''. ''A polícia não descarta nenhuma linha de investigação, mesmo porque os motivos e a arma do crime ainda não foram esclarecidos'', disse, em nota.
Silva teve a prisão temporária decretada pelo juiz Mirko Vicenzo Giannotte, da 2 Vara Criminal de Rondonópolis. Para o delegado, o depoimento dele foi contraditório. Pessoa afirmou que o suspeito confessou o crime à polícia, mas negou sua participação ao falar com o promotor de Justiça.
Ameaças - Além de latrocínio, a polícia também trabalha com a possibilidade de o crime estar relacionado à atuação da pró-reitora na UFMT.
De acordo com amigos dela, Soraiha ''contrariava interesses'' ao propor a revogação de contratos mantidos pela instituição. Dias antes de ser assassinada, Soraiha havia se queixado de ameaças que vinha sofrendo.
A suspeita fez com que a Polícia Federal, responsável pela investigação de crimes relacionados à atuação de servidores federais, também instaurasse inquérito para apurar as mortes. De acordo com a assessoria de imprensa da PF, a investigação paralela continua.
A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Silva na tarde de ontem.

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