Preso suspeito de falsificar documentos
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu ontem um suspeito de falsificar certificados, cartões de crédito e até documentos exigidos para viagens para o exterior. Juarez Ricardo dos Santos, de 54 anos, foi detido em flagrante pela manhã em um escritório da Rua Senador Souza Naves, no centro de Londrina. Foram apreendidos computadores, dezenas de carimbos de instituições públicas e particulares, tintas especiais, equipamentos para falsificar cartões de crédito e vários outros materiais.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, explicou que o Ministério Público recebeu a denúncia do secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri. "O secretário procurou o MP no final da tarde de sexta-feira e revelou a suspeita de irregularidades nos certificados apresentados pelos candidatos no concurso da Saúde como forma de obter pontos na classificação. No sábado, o serviço reservado da Polícia Militar preparou um relatório e encaminhou o documento para o Ministério Público", revelou.
Castro destacou a grande variedade de carimbos para falsificações de toda a sorte de documentos. "É uma pessoa de alta capacidade de realização de crimes contra a fé pública", apontou. Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram encontrados, ainda, munições calibre 38 mm e projéteis calibre 9 mm já deflagrados. Os policiais não encontraram armas no escritório.
"Santos negou que tenha cometido o crime e disse que os carimbos não tinham valor nenhum", ressaltou o promotor. Juarez Ricardo dos Santos já responde a um processo criminal na Justiça Federal por falsificação de documentos e formação de quadrilha, em 2007. Assim que forem concluídas as investigações, o MP deve encaminhar os documentos apreendidos para a Polícia Federal (PF).
Instituições
Entre os carimbos apreendidos estão o de identificação da reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Nádina Moreno, e da vice-reitora, Berenice Quinzani Jordão, além de carimbos de cartórios da cidade, materiais relacionados à Universidade Estadual de Maringá (UEM), Vigilância Sanitária, cartões de estacionamento de shoppings e cartões de identificação de servidores municipais.
No primeiro momento das investigações, não há indícios de envolvimento de servidores municipais, estaduais e federais na falsificação.
O delegado do Gaeco, Ernandes Cezar Alves, explicou que Santos foi autuado por posse irregular de munição e de apetrechos de falsificação.
Segundo o Gaeco, em seu depoimento, Santos chegou a confessar que os objetos eram seus, mas alegou que não eram mais utilizados. "Vou pedir a prisão preventiva e concluir o inquérito policial nos próximos dez dias", garantiu o delegado. O homem foi levado ao 4º Distrito Policial.
Segundo o delegado, para documentos como autenticação ou atestados médicos, eram cobrados cerca de R$ 40. Já para outros documentos, mais elaborados, o preço subia para R$ 400. "Ainda não apareceu ninguém que tenha se beneficiado com algum documento falso, até mesmo porque este vai incorrer em crime semelhante caso admita a fraude."
Já o advogado de Santos, Sebastião Domingues da Luz, disse que seu cliente produzia apenas alguns documentos, como declaração de trabalho autônomo, e ajudava no processo de obtenção de vistos para outros países. "Vou pedir a soltura dele imediatamente". (Colaborou Marian Trigueiros)


