Curitiba, 18 (AE) - A polícia apresentou hoje, em Curitiba, o bóia-fria Jair Firmino Borracha, de 45 anos, acusado de ter matado Eduardo Anghinoni, de 31 anos, irmão do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no noroeste do Paraná, Celso Anghinoni. Borracha foi preso em sua casa, em Santo Antônio do Caiuá, na mesma região, mas transferido para Curitiba, uma vez que a polícia temia alguma tentativa de vingança. O bóia-fria nega qualquer participação no crime e diz ter como provar sua inocência.
O delegado de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, já pediu a prisão do detetive particular Osnir Sanches e do segurança José Ivo Lopes. Os três já tinham sido presos em 22 de abril, mas foram liberados em 4 de maio, "por falta de provas". Como o exame de balística comprovou que Anghinoni foi morto por uma bala do revólver calibre 38 de Borracha, o delegado disse ter conseguido a prova que precisava.
Inocente - "Eu nem participei, nem fui contratado, nem teve disparo, não teve nada", afirmou o acusado. "Isso aí tenho como comprovar, que não aconteceu nada". Borracha ainda é suspeito, junto com Sanches e Lopes, da morte do sem-terra Sebastião Camargo, em fevereiro do ano passado, na Fazenda Marilena, em Nova Londrina, também no noroeste do Estado.
Na casa de Sanches a polícia encontrou um recibo de pagamento para Borracha por "serviços prestados". Além disso, Lopes foi visto pedindo informações sobre Celso Anghinoni poucos dias antes da morte de seu irmão. O acusado também foi reconhecido por testemunhas como uma das três pessoas que rondavam a casa uma hora antes do assassinato. "São indícios fortes", disse o delegado. Crime - Eduardo Anghinoni foi morto por volta das 21h30 do dia 29 de março, quando visitava o irmão no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte. Ele estava na sala, assistindo televisão, quando alguém disparou cinco tiros pela janela. Sentado no lugar em que normalmente ficava o irmão, Eduardo recebeu três tiros.
Um dos coordenadores do MST no Paraná, Dirceu Boufler, disse hoje que o movimento acha "interessante" a prisão dos que mataram. "Mas também queremos a prisão dos mandantes da ação", afirmou.

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