Preso, síndico nega ter premeditado morte de vizinho
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 07 (AE) - O ex-síndico Selsino Gonçalves Souto apresentou-se às 23 horas de ontem (06) à polícia de São Paulo. Ele estava com prisão temporária decretada e foragido desde 24 de fevereiro, quando matou com três tiros o professor e vizinho José Marques de Sousa, no Condomínio Recanto dos Pássaros, no Butantã, zona oeste de São Paulo. O crime foi gravado por uma câmara do sistema de segurança.
Souto foi interrogado hoje no 93.º Distrito Policial e em seguida transferido para o 29.º DP de São Paulo, onde deve permanecer por pelo menos 30 dias. Ele negou que tivesse premeditado o crime e alegou legítima defesa. Depois de vários desentendimentos com Sousa, por causa das contas do condomínio, foi tentar conversar.
Conforme o acusado, o professor teria partido para cima dele, que chegou a tirar a arma da cintura para intimidá-lo. A arma teria destravado sozinha, disparando três vezes. Souto disse que andava armado para coibir roubos no condomínio, que considerava vulnerável por estar na frente de um campo de futebol, onde marginais ficariam concentrados.
A pistola 380 já foi apreendida e estava com o porte vencido. Souto havia respondido a dois processos por lesão corporal, em acidentes de trânsito. Em ambos, foi absolvido. Depois do interrogatório, ele foi levado para o 29.º DP , o único da capital que recebe os que estão com prisão temporária decretada e onde também está o vereador Vicente Viscome (sem partido). De cabeça baixa, não quis dar declarações à imprensa. Estiveram no distrito a mulher dele, Lílian, e o filho adolescente.
Na próxima semana o delegado que preside o inquérito, Edson Leal, vai pedir a reconstituição do crime e confrontar as imagens da fita de vídeo com o depoimento. O inquérito deve ser concluído em 30 dias. As imagens mostram o momento em que o professor saiu do elevador para entrar em seu apartamento e foi surpreendido por Souto. Depois do crime, os condôminos resolveram destituí-lo do cargo.
Nos últimos dias, vários cartazes de "procura-se" com a foto do ex-síndico foram colocados nos distritos policiais e no bairro do Butantã. A iniciativa foi da viúva do professor, a bibliotecária Leda Venâncio Marques. "Esses cartazes, mais a decretação de sua prisão temporária, fizeram que ele se entregasse", disse hoje o chefe dos investigadores do 93.º DP, Nelson Schmidt. "Ele se sentiu acuado." O ex-síndico não deu detalhes de onde esteve esse tempo todo.


