Preso se rebelam em DP do Rio e tomam carcereiro como refém
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Roberta Pennafort,especial para a AE 
Rio, 19 (AE) - Os presos da 35ª Delegacia Policial (Campo Grande) do Rio se rebelaram hoje, por volta das 11 horas e tomaram um carcereiro como refém. Eles reclamam da superlotação, pois a carceragem tem capacidade para 80 presos e abrigava hoje 236. Por causa do motim, 115 preso estão sendo transferidos para o presídio de água Santa, na zona norte, para a carceragem da Polícia Interestadual (Polinter) e a 31ª Delegacia Policia (Ricardo Albuquerque) na zona norte. Às 17 horas, os amotinados prometeram libertar o carcereiro Walter Pinto de Medeiros Batista após a transferência de todos os detentos.
O carcereiro Batista foi buscar um detento que seria encaminhado ao Fórum quando foi surpreendido por outros 20 presos que conseguiram fugir de suas celas. Ele foi ameaçado com uma faca, de acordo com informações dos policiais. Os amostinados quebraram o circuito interno de TV da carceragem, o sistema de som e os vasos sanitários. As negociações foram comandadas pelo subchefe de Polícia Civil, Bismark Santana."Eles reclamam do calor, mas não podemos fazer nada", disse Santana.
Em bilhete enviado à imprensa, os presos escreveram: "Nós queremos pedir às autoridades que tomem uma providência para acabar com a superlotação e também para providenciar a transferência dos condenados." Às 15h30, os primeiros 50 presos deixaram a delegacia rumo ao presídio de água Santa, na zona norte. Outros 65 seriam levados para outras unidades até o fim do dia.
O detento Leandro Coutinho, condenado por estupro, foi encaminhado, com ferimentos no rosto, ao Hospital Rocha Faria. Segundo o delegado, ele havia apanhado muito durante o tumulto.Quatro microônibus foram usados no transporte. Na saída, um dos presos disse: "Fomos massacrados aqui dentro".
A aposentada Hilda Monteiro Martins, de 65 anos, ficou na delegacia durante todo o dia à espera de seu filho, Wilson Monteiro Martins, de 24 anos, condenado por tráfico de drogas, que seria beneficiado com a condicional. Às 17 horas ele não havia sido solto."Ele já deveria estar solto há duas semanas, mas não o deixaram sair", disse a aposentada. "Agora não sei mais o que vai acontecer."
O juiz Pedro Freire, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, acompanhou a rebelião com defensores e promotores públicos. "Viemos aqui para garantir os direitos dos presos", disse o juiz. Da janela da carceragem, podia ser visto um lençol manchado de sangue. Segundo os presos, as condições das celas são péssimas.


