São Paulo, 02 (AE) - Jurandir Vivaldo dos Santos, de 30 anos, baiano de Ribeirão do Pombal, tinha como meta formar-se em hotelaria, na cidade de Maiorca, na Espanha. Pretendia, também, frequentar as principais escolas de chefes de cozinha da França. Em São Paulo, trabalhou como garçom e chegou a maŒtre. Passou pelo Maksoud Plaza, Esplanada Grill, Gallery e outros restaurantes. Seu sonho terminou quando ficou desempregado e conheceu um ladrão. "O convite foi para ganhar dinheiro fácil e não parei mais".
Santos especializou-se em arrombar cofres de joalherias, indústrias de jóias, caixas e cofres particulares de bancos e residências. Está novamente preso. Entre as vítimas do arrombador estão a loja de carros de Vicente Viscome, o vereador cassado; as joalherias H. Stern e M. Korn; os edifícios São Gabriel Business House e Munhoz; o condomínio Pedro Afonso; duas lojas da rede Mc Donalds; uma agência do Swiss Bank Corporation.
Conhecido como Gordo, Santos, segundo a polícia, virou o principal arrombador de cofres de São Paulo. Ele compra revistas dirigidas a fabricantes de cofres, para se inteirar das novidades, do mecanismo, e estuda a melhor maneira de abrir os equipamentos. O delegado Edson Remígio Santi, do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), responsável pela prisão, acredita que, com Santos na cadeia, serão esclarecidos muitos roubos praticados na capital.
O ladrão vinha sendo procurado havia pelo menos um ano. Na semana passada, os policiais da 2.ª Delegacia, do Depatri receberam a denúncia de que Santos costumava frequentar, todas as semanas, a casa da irmã, na Rua Marambaia, na Casa Verde, zona norte. Sábado e domingo, o delegado Santi e três investigadores permaneceram no local por várias horas. Mas Santos não apareceu. Na manhã de hoje, os policiais voltaram para a Rua Marambaia. Quando se certificaram que o ladrão estava no endereço indicado, cercaram o prédio e o prenderam. Furadeira - Na garagem da residência, estava um Fiat Pálio pertencente a Santos. No porta-malas do veículo, os policiais acharam o material usado nos arrombamentos: dois tubos de oxigênio, um de acetileno, maçarico, máscara de ferro, uma superfuradeira adaptada com um motor para a abertura de portas de cofres, chaves de fenda de todos os tamanhos e um pé-de-cabra industrial.
Santos tinha em seu poder cartões de visita de empresas que poderiam ser atacadas e um exemplar da revista "Dezoito Quilates", com fotos e informações de jóias e joalherias. Os policiais suspeitam que o ladrão e seus cúmplices planejavam, para esta semana, entrar num banco da zona sul da capital, para arrombar cofres particulares, nos quais são deixados jóias e dólares.
Condenado a 4 anos por assaltos e com três mandados de prisão expedidos pela Justiça, em quatro processos, também por roubo, Santos, que já havia sido preso, fora resgatado por cúmplices na madrugada de 9 de março do ano passado, de uma das celas do 95.º Distrito Policial, no bairro de Heliópolis. Os integrantes de sua quadrilha dominaram os policiais de plantão e
na fuga, o arrombador de cofres teria agredido a delegada, que estava grávida. Argentina - O ladrão contou ao delegado Santi que a maior parte das jóias roubadas em São Paulo é enviada pelos receptadores para a Argentina. O policial informou também que, em 3 de março, Santos participou do assalto à loja da H. Stern, na Rua Augusta, quando foram roubadas jóias avaliadas em R$ 300 mil. Parte da mercadoria levada nesse roubo - relógios, anéis e pulseiras - foi encontrada com Thiago Eufrasino da Silva, dono de uma pizzaria, e um dos integrantes da quadrilha. Outra parte a polícia argentina, a pedido do delegado Santi, apreendeu em Buenos Aires.

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