Foz do Iguaçu A Polícia Federal teria oferecido a delação premiada para um dos atravessadores de contrabando do Paraguai ao Brasil. O objetivo é reforçar a acusação contra os 22 policiais federais, dois patrulheiros, quatro fiscais da Receita Federal e outros nove intermediários presos em Foz do Iguaçu. As 38 pessoas são acusadas de integrar um megaesquema para a travessia ilegal.
O benefício teria sido oferecido a N.A.B., que ontem teria sido transferido para Maringá. As informações são do advogado de defesa Oswaldo Loureiro de Mello Júnior. Segundo ele, a polícia diz ter feito a remoção por questões de segurança, mas a ''verdadeira intenção é isolar o acusado e enfraquecê-lo. É um instrumento legal, mas é também uma forma inegável de odiável tortura psicológica''.
Sobre o pedido de habeas-corpus, Loureiro afirmou que optou por, inicialmente, demonstrar o ''linchamento'' moral praticado pela polícia. ''A polícia faz uma pantomima na mídia para almejar uma prisão preventiva. Eles querem causar um constrangimento social e inibir o Poder Judiciário. Como podem ser crucificados, se não foram julgados?'', defendeu o advogado.
O delegado-chefe da PF, em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, não confirmou nem negou a delação premiada ou transferência do preso. Ele afirmou que o processo corre em segredo de Justiça. Na semana passada, Mesquita disse ter provas contundentes contra o grupo.
Ontem, os 19 agentes estavam no alojamento com beliches, ar-condicionado no Corpo de Bombeiros. A custódia especial é um direito previsto no estatuto da categoria, justificou Loureiro, que havia criticado a transferência deles para cadeias comuns. Os outros três federais continuam na PF, os quatro patrulheiros e três fiscais da RF estão na Polícia Rodoviária Federal, enquanto os atravessadores estão na superlotada cadeia pública.
A Operação Sucuri levou cinco meses para recolher provas até executar as prisões dos acusados na quarta e quinta-feira. Os funcionários públicos serão indiciados por contrabando, facilitação ao contrabando, corrupção ativa e passiva, crime de prevaricação e formação de quadrilha. Eles foram indiciados por cobrar R$ 200,00 por passagem de veículo ''sob vista grossa'' na Ponte da Amizade.

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