Rio - O advogado Jonas Tadeu Nunes condicionou ontem a colaboração do tatuador Fábio Raposo Barbosa a uma mudança no indiciamento feito contra o jovem no inquérito sobre o ataque ao cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade. Nunes quer que ele responda por lesão corporal grave, e não tentativa de homicídio, tipo penal pelo qual foi indiciado. O advogado quer também a redução de prazo da prisão temporária, de 30 para 5 dias.
Raposo foi preso ontem de manhã e indiciado sob suspeita do ataque ao cinegrafista durante protesto na quinta-feira, no centro do Rio. A defesa do tatuador afirma que, caso as condições sejam aceitas, ele poderá auxiliar nas investigações. Barbosa segue afirmando não conhecer o rapaz que deflagrou o rojão que atingiu a cabeça do cinegrafista.
"Ele não apontou ainda quem é, pois não chegamos a um acordo sobre a tipificação do crime. O delegado acha que é tentativa de homicídio. Isso é muito exacerbado. Para mim, foi uma lesão corporal grave", disse Nunes. O advogado afirmou que Barbosa poderia reconhecer o outro suspeito por foto ou pessoalmente. O homem que detonou o artefato ainda não foi identificado.
O delegado Maurício Luciano de Almeida Silva disse que a mudança na tipificação não ocorrerá por parte da polícia. "Não é aqui que ele tem que pedir a mudança de tipificação, mas sim na Justiça."
Silva disse também que busca identificar eventual participação de Barbosa no grupo "black bloc". Barbosa já foi autuado por ameaça e dano ao patrimônio, em outubro e novembro do ano passado, por crimes supostamente cometidos durante protestos.
O tatuador já foi transferido para a carceragem da Polinter, de onde deve ser encaminhado para uma unidade do sistema penitenciário. Já o cinegrafista permanece internado em coma induzido.

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