São Paulo, 06 (AE) - O pintor de carros Severino Fernandes Guerra, de 30 anos, foi preso na madrugada de hoje, acusado de praticar sequestros relâmpagos, estuprar as vítimas e extorquir dinheiro de suas famílias. Guerra tinha a colaboração da mulher, Rosineide Gerônimo Nascimento, de 29, que cuidava do cativeiro. Nos assaltos, era auxiliado pelo funileiro Paulo Cesar Lino dos Santos, de 30, que está sendo procurado.
A prisão ocorreu com a ajuda de uma estudante de 20 anos
sequestrada na noite de sexta-feira e libertada somente na noite de sábado, depois que a família pagou resgate de R$ 400 00. Oito moças, com idades entre 18 e 22 anos, estiveram na manhã de hoje na Delegacia Anti-Sequestro (Deas) e reconheceram Guerra. Duas identificaram Lino por fotografia. A casa de Guerra
nos fundos da oficina mecânica, pintura e funilaria, na Rua Tomé de Almeida Oliveira, Vila Mirante, zona norte, servia de cativeiro.
Num quarto, os policiais apreenderam sete relógios e celulares. Para justificar, Guerra alegou ser colecionador. Mas para o delegado Maurício Soares, titular da Deas, os relógios devem pertencer às moças sequestradas. "São mais sete vítimas porque nenhuma das oito que aqui estiveram reconheceram os relógios", explicou Soares.
Extorsão - Guerra e a mulher foram autuados por extorsão mediante sequestro. Guerra também foi enquadrado por atentado violento ao pudor e estupro. Lino foi indiciado por extorsão mediante sequestro. Três casos de sequestro relâmpago que terminaram com extorsão às famílias das vítimas e também o estupro das moças chegaram ao conhecimento da Deas no fim do ano passado.
As moças, moradoras em Pirituba e Vila Pereira Barreto, na zona oeste, foram atacadas na saída do Shopping Pirituba.O delegado Soares determinou que seus policiais fizessem um levantamento nos distritos policiais das zonas oeste e norte sobre queixas de sequestros relâmpagos com as moças sendo estupradas ou vítimas de atentado violento ao pudor.
Um número grande de registros foi encontrado. A maioria das vítimas, segundo o delegado, deu a mesma descrição do ladrão. "Algumas deram detalhes do quarto onde ficaram, de um dia para o outro, e três delas disseram que na casa tinha uma mulher." O sequestro da estudante, na noite de sexta-feira, foi comunicado ao Deas assim que a família da garota recebeu telefonema exigindo o pagamento do resgate.
Guerra começou pedindo R$ 10 mil e durante o dia diminui o valor e mandou que R$ 400,00 fossem depositados num caixa eletrônico em uma conta aberta com nome falso. Para justificar os estupros, Guerra declarou ao delegado que quando bebe não consegue se controlar. E durante os assaltos bebia muito.