O motoboy Francisco de Assis Pereira, 31 anos, suspeito de ter matado pelo menos oito mulheres no Parque do Estado, em São Paulo, foi preso ontem, por volta das 20h15, em Itaqui (RS), na divisa com a Argentina. Ele estava na cidade desde a última sexta-feira, segundo testemunhas ouvidas pela polícia. Veio da Argentina atravessando o rio Uruguai, por balsa, de carona em um caminhão.
O motoboy foi preso por três soldados da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, depois de ter sido denunciado pelo pescador João Carlos Dorneles Vilaverde. No momento da prisão, Francisco Pereira estava em uma olaria abandonada, às margens do rio, onde estava dormindo. Segundo o soldado Antônio Eraldo Cardoso Vieira, 40, o motoboy estava bastante sujo, usando uma bermuda e uma camisa xadrez. Ele usava um cavanhaque e apresentava uma grande queimadura na coxa esquerda.
O motoboy está preso na delegacia local e negou a autoria dos assassinatos. ‘‘Ele confirmou que era de São Paulo, mas disse que não matou ninguém. Ele falou pra gente que estava fugindo porque estava assustado . Entre os pertences encontrados pela polícia, estavam os documentos que confirmaram a identidade do motoboy e um álbum com fotos de aproximadamente 20 mulheres.
De acordo com o delegado Carlos Alberto Ferreira Sato, da 1ª delegacia do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), informações extra-oficiais, às 22h, davam conta de que Pereira foi reconhecido por um casal. Segundo Sato, Pereira estaria, ontem pela manhã, na região de Ponta Porã (346 km de Campo Grande), na fronteira com o Paraguai. De lá, o suposto maníaco teria ido para Santa Catarina e, depois, para a Argentina. No final da tarde, ele teria ido para Itaqui.
Os crimes do maníaco ganharam repercussão no início de julho, quando a polícia encontrou os corpos de quatro mulheres, nuas e com marcas de violência sexual, na mata do parque do Estado. Investigações apontaram que outras duas mulheres (assassinadas em janeiro e em maio) teriam sido mortas pelo mesmo autor - provavelmente um maníaco sexual. Uma delas foi estrangulada.
Varreduras da polícia encontraram roupas e bijuterias na mata. Na semana passada, o número de vítimas subiu para oito. As duas vítimas encontradas teriam sido mortas havia cerca de 30 dias. Apenas quatro dos oito cadáveres encontrados no parque do Estado foram identificados.
Em todas as descrições das vítimas, o maníaco teria agido de maneira semelhante. Ele encontrava as mulheres em supermercados, pontos de ônibus ou filas de cartórios e se apresentava como caça-talentos. Levava as vítimas para o parque sob o pretexto de tirar fotografias para catálogos de empresas (uma delas de cosméticos).
Há uma curiosidade sobre as vítimas encontradas: foram achadas aos pares. Segundo a polícia, é um indício que algumas das moças viram as vítimas anteriores.
O inquérito do caso já tem cerca de 300 páginas com relatos de sete mulheres que foram levadas ao parque.

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