RIO - Suspeito de participação no assassinato de cinco adolescentes em Belford Roxo (Baixada Fluminense) na quinta-feira, o guarda municipal conhecido como Cláudio Bacurau se apresentou anteontem à polícia e foi imediatamente preso. A Justiça de Belford Roxo havia expedido mandado de prisão preventiva contra ele, que vai ficar preso na carceragem da delegacia daquele município (54ª DP) até que o caso seja solucionado.
As vítimas da chacina eram adolescentes na faixa etária dos 15 aos 17. Eles foram obrigados a descer de um ônibus da linha 448 (Belford Roxo-Duque de Caxias), da Viação Santo Antônio, e acabaram sendo assassinados porque não tinham R$ 0,55 para pagar a passagem. Funcionário da Santo Antônio há três anos, Bacurau é lotado na empresa como agente de tráfego, mas a polícia descobriu que na prática ele trabalhava como segurança nos veículos, para evitar que passageiros dessem calote.
De acordo com o subchefe de Polícia Civil, delegado Paulo Maiato, essa é a designação dada aos seguranças na folha de pagamento da empresas de ônibus da Baixada Fluminense, que segundo ele normalmente contratam policiais e até ex-policiais ligados a grupos de extermínio para esse tipo de serviço. Maiato disse não ter dúvidas do envolvimento de Bacurau na chacina, mas que ainda não sabe se ele desceu do ônibus e disparou contra os rapazes.
Em depoimento à Polícia, o guarda municipal contou que foi obrigado por outro segurança, Clóvis Cruz de Santana, a lhe entregar sua arma, uma pistola 380. No entanto, essa versão foi desmentida ontem por um dos quatro informantes da polícia ouvidos pelos investigadores que acompanham o caso. A polícia ainda não localizou Santana, que também teve prisão preventiva decretada pela Justiça. Maiato garantiu que até ontem à noite haveria ‘‘novidades sobre o caso’’, numa referência à possível prisão do segurança.

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