Preso no Recife camelô acusado de extorquir ambulantes no centro de SP
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 12 (AE) - A polícia prendeu hoje, em Recife, o ambulante José Raimundo dos Santos, conhecido como "PT". Ele é acusado de participar do grupo que extorquia ambulantes na região da Rua 25 de Março, centro de São Paulo. Santos, que teve a prisão preventiva decretada no dia 5 de março, estaria abaixo do ex-chefe de apreensões da Administração Regional da Sé, Wagner dos Santos, na hierarquia do suposto esquema.
Segundo o delegado Romeu Tuma Jr., que investiga o caso, Santos foi preso em Recife onde teria chegado no fim da semana passada. De acordo com informações da polícia pernambucana, ele passou a semana em um local chamado Moreno, a 30 quilometros de Recife. Hoje, ele tinha se mudado para a capital, onde tinha comprado um apartamento pelo qual já teria dado R$ 8 mil de entrada. Até domingo, ele deve ser transferido para São Paulo. Advogada - Hoje, a advogada Maria Ligia Januzzi, enviou uma carta de protesto ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional São Paulo, Rubens Machado, contra o advogado do deputado eleito Hanna Garib (PPB), Alberto Rollo. Na carta, ela protesta contra o comportamento do advogado, que é responsável pelo Setor de Prerrogativas de Exercício Ilegal da Profissão da OAB-SP.
Maria Lígia, que solicitou a demissão de Rollo do cargo, afirma no documento que, no início da semana foi procurada por dois advogados que defendem fiscais acusados de participarem de esquemas de corrupção na Administração Regional da Sé. Os advogados, segundo Maria Lígia, queriam que ela convencesse seus clientes, Aparecida Martins Santiago, Adriano Martins Santiago e Carlos Aparecido da Silva a modificarem depoimentos dados à polícia. Os três, que foram presos, acusados de participarem do esquema de propinas, revelaram dados importantes, como a suposta participação do vereador e deputado eleito Garib.
Um dia depois, Maria Lígia teria recebido um telefonema do advogado Rollo, pressionando-a a apresentar seu diploma de advogada. Além disso Rollo teria dito que tinha inúmeras queixas contra ela. "Não posso deixar de dizer o quanto foi péssimo o comportamento do doutor Rollo, que não é nada cavalheiro e é mal-educado", registrou Maria Lígia na carta. "Fui insultada e retirei-me deixando meu protesto".
Rollo defende-se afirmando que, de fato, recebeu denúncias orais contra a advogada. Diante disso, na condição de presidente do setor de prerrogativas, foi verificar o cadastro de Maria Lígia na OAB, onde estava registrado que sua faculdade era desconhecida e a data do seu diploma fictícia. "A data fictícia é uma maneira usual de dizer que a pessoa não tem diploma", disse.
Por causa disso, Rollo entrou em contato com Maria Lígia solicitando esclarecimentos. "Esse é um procedimento absolutamente normal em meu setor", diz ele, que citou outros advogados com o mesmo problema. "O procedimento é igual para todos", afirmou. "O problema do registro pode ter ocorrido porque o diploma dela não é de São Paulo", disse. Ao apresentar os documentos, segundo o advogado, Maria Lígia teria agido de forma agressiva. Ele nega, porém, tê-la tratado mal. "Fico imaginando quem está por trás dela, incentivando-a a aumentar a proporção de um assunto corriqueiro".
Em relação á carta, o advogado diz que, em primeiro lugar, quer tomar conhecimento do documento, para, a partir daí, tomar as providências necessárias. "Chumbo trocado não dói".


