Preso no PR acusado de matar sem-terra
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A Polícia Civil de Paranavaí prendeu ontem o cerqueiro (construtor de cerca) José Luiz Carneiro, 52 anos, acusado de ter matado o assentado Sebastião da Maia, no dia 21 de novembro passado em Querência do Norte, Noroeste do Estado. Carneiro, que trabalhava como segurança da fazenda, foi reconhecido por um dos três sem-terra apontados como testemunhas do crime. O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, acha que o crime foi circunstancial. Ele não tinha a intenção de matar, e atirou porque estava assustado, diz.
Outro acusado pelo crime, José Ivo Lopes Furquin, 50 anos, que está com a prisão preventiva decretada por ter contratado os seguranças, é procurado pela polícia. A morte de Maia aconteceu na manhã do dia 21 de novembro, depois que os sem-terra reinvadiram a Fazenda Água da Prata, desocupada pela Polícia Militar um dia antes. Segundo versão de um dos seguranças presos, 10 pessoas estavam trabalhando na propriedade.
Quando os cerca de 300 sem-terra chegaram, no início da manhã, os quatro seguranças que estavam de guarda correram para uma direção, outros cinco que estavam dentro da casa foram para outro lado e Carneiro acabou fugindo sozinho. O delegado Canhoto diz, que pelos depoimentos, entende que o cerqueiro se escondeu e quando viu os sem-terra que já voltavam para as áreas de origem, pode ter se assustado, atirando contra o grupo.
Carneiro trabalha como peão e cerqueiro, não tinha preparo para estar no serviço de segurança, avalia o delegado. O tiro atingiu a cabeça de Maia e feriu o sem-terra que reconheceu o segurança. O nome dele está sendo mantido em sigilo. Canhoto conta também que Carneiro alega ter sido atingido por um tiro na nuca, mas como ele ficou quatro dias desaparecido, acabou dificultando a realização de um exame para confirmar a versão.
Os cinco seguranças presos no dia do crime com armas pesadas, já foram liberados depois de não serem reconhecidos. Todos vão responder a processo por porte ilegal de arma. Canhoto pretende agora continuar o processo ouvindo as pessoas envolvidas de alguma forma com o caso, para confirmar a versão levantada até agora. Só não vamos fazer a reconstituição do crime porque não existe clima para isso na propriedade, explica.


