Preso no Brasil empresário acusado de pertencer à máfia
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segunda-feira, 29 de julho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O empresário italiano Vicenzo Consoli, condenado a 27 anos de prisão por sequestros e homicídio na Itália, foi preso ontem em Osasco (Grande SP). Ele morava há 23 anos no Brasil.
Natural da cidade de Piazza Armina, o italiano de 57 anos que estaria ligado à máfia italiana foi detido na noite de anteontem na altura do quilômetro 18 da rodovia Anhanguera em frente aos estúdios do SBT. De acordo com a polícia, ele estava disfarçado com uma peruca loura e óculos.
Segundo o delegado Manoel Camassa, da Delegacia de Estelionatos do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Consoli estava com uma equipe de TV para a gravação de uma entrevista.
O italiano foi autuado em flagrante por uso de documentação falsa. Viveu no Brasil com três nomes diferentes: Alessandro Ghezzi, Antonio Gravina e Antonio Vitta.
Embora a motivação da Polícia Civil tenha sido somente o crime de falsidade ideológica, Consoli é detentor de extensa ficha criminal em sua terra natal. Em julho de 1978 ele fugiu do Hospital Psiquiátrico Castiglione Stiviere, onde cumpria pena de dois anos por contrabando de armas.
Em 1º de dezembro de 2001, o Supremo Tribunal Federal emitiu um mandado de prisão preventiva com pedido de extradição para a Itália. A polícia italiana descobrira que o tão procurado Consoli vivia em Jundiaí (a 60 km de SP) com o nome falso de Alessandro Ghezzi.
A polícia brasileira soube então que o italiano fora condenado em 1986 pela Corte Suprema da Itália por sequestros, homicídios e porte de arma. Em 1989, o Tribunal de Milão expediu um mandado de prisão preventiva e o encaminhou à Interpol, que desde então iniciou a caçada ao criminoso.
Após ser preso, Consoli foi levado ao Deic, onde permanecerá enquanto aguarda o processo de extradição. Ontem, a delegada-chefe de operações da Interpol no Brasil, Carla Barbi, esteve no Deic para ouvir o criminoso. Ele disse que só falará em juízo.
Segundo o advogado de Consoli, Israel Mascarenhas, não existe ligação de seu cliente com a máfia. Mascarenhas admitiu que Consoli assume a participação nos crimes de sequestro e porte de armas, mas não em homicídios. O advogado disse que nunca soube das documentações falsas.
Em Jundiaí, Consoli abriu pequenos comércios, uma empresa de promoção de festas e uma boate. Consoli também foi sócio em uma casa de câmbio na cidade com o delegado seccional de Bragança Paulista, Djahy Tucci Júnior, em 1994. Um de seus imóveis era alugado para o 3º DP de Jundiaí.


