Preso na 'Operação Sucuri' está em Londrina
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terça-feira, 18 de março de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Delegacia da Polícia Federal em Londrina não confirmou, mas a advogada do comerciante Nábio Assad Boultaif, de 43 anos, garantiu ontem que seu cliente foi transferido para a carceragem londrinense no último sábado. O comerciante foi detido pela ''Operação Sucuri'', deflagrada pela PF na última semana, que culminou com a prisão de 38 pessoas, entre elas, 22 agentes federais e quatro fiscais da Receita Federal.
Eliane Dávilla Sávio, 32 anos, autorizou a divulgação da identidade de seu cliente e declarou que ele não corre risco de vida, como afirma a Polícia Federal. Ela explicou que um delegado federal (cujo nome não foi informado) teria dito que Boultaif ''havia aderido ao programa de proteção a testemunhas'' porque teria colaborado com as investigações policiais para o sucesso da ''Operação Sucuri'', uma ofensiva anti-corrupção na área da Ponte da Amizade, na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, organizada pelo Ministério Público Federal e pela PF.
''Meu cliente não deu nenhum tipo de declarações comprometedoras (à PF), mesmo porque as acusações são todas improcedentes'', comentou Sávio. A advogada apontou que seu cliente quer ser transferido para Foz e quer ''ficar na cadeia junto com os demais presos''.
Ela reclamou que o comerciante teria sido transferido sem o conhecimento da Justiça Federal em Foz, da família e dela própria. A advogada disse que esteve com seu cliente no último final de semana e precisou pedir a um paramédico do Corpo de Bombeiros, na segunda-feira de manhã, que avaliasse suas condições de saúde, pois Boultaif seria cardíaco. ''Ele reclamou de dor no peito e formigamento no braço e o médico disse que poderia sofrer complicações a qualquer momento'', apontou.
O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, João do Prado, declarou apenas que não poderia confirmar se o preso estava sob sua custódia. O sigilo seria para resguardar a vida do comerciante.
O delegado-chefe da Polícia Federal em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, afirmou à Folha que a delegacia tem motivos e ''entendeu por bem'' transferir Nabil Assad Boultaif para Londrina. Disse que se ele desejar ficar entre os outros presos é só fazer o pedido a Justiça Federal através da advogado dele.
Ontem, um dos advogado de defesa, Oswaldo Loureiro de Mello Júnior, informou ter protocolado na Justiça Federal documento solicitando liberdade provisória para cinco dos 22 policiais federais detidos. Loureiro antecipou que o pedido de habeas-corpus deve ser concluído em breve.
Na segunda-feira, a Justiça Federal prorrogou as prisões temporárias de nove dos 26 agentes públicos federais presos (22 policiais e 4 fiscais da Receita Federal). Em 14 de março, um dia depois da prisão do grupo, a PF garantiu que vai concluir o inquérito para fins de denúncia no prazo máximo de 15 dias.


