Preso motoboy acusado de atacar 30 mulheres em SP
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 11 (AE) - O motoboy Márcio Rogério Xavier, de 27 anos, contou hoje à polícia ter atacado mais de 30 mulheres nos últimos três anos no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, e em Diadema, no ABC. "Muitas eu estuprei e outras, que reagiram, mandei embora." Ele negou ter matado alguma de suas vítimas. "Eu só abusei."
Xavier usava capacete para evitar a identificação, mesmo assim, até a tarde de hoje havia sido reconhecido por oito mulheres. Com base em depoimento de 15 vítimas nos últimos seis meses a polícia fez o retrato-falado do motoboy. Xavier afirmou que uma força maior o faz atacar as mulheres.
A prisão aconteceu no domingo quando chegou na casa do sogro, em Americanópolis, onde mora, para o almoço de dia das mães.Casado há dois meses, Xavier trabalha como motoboy desde 1995 e estava empregado em uma empresa do Jabaquara entregando correspondência.
A polícia investigava o caso há 15 dias."Conseguimos o endereço depois de identificarmos a moto, registrada em nome do sogro", contou o delegado da Delegacia Seccional Sul, Olavo Reino Francisco.
Ameaças - Até a tarde de hoje oito mulheres haviam reconhecido Xavier, que agia somente durante o dia. "Eu apavorava as vítimas, ameaçava matá-las, dizia que voltaria se fossem à polícia e deixei muitas delas nuas no meio do mato." As moças ouvidas, uma de 14 anos e outra de 17, disseram que ao atacá-las o motoboy mostrou o cabo de um revólver. Xavier examinava os documentos de identidade e fazia perguntas sobre a família das moças.
L., balconista, foi atacada na Praça da árvore no fim do ano passado e passou mal hoje depois do reconhecimento. "O que ele fez comigo não se faz nem a um animal." Quatro investigadores trabalharam no caso durante 12 dias. As vítimas lembraram de detalhes do agressor e sua moto, como e o dedo indicador da mão direita sem a unha e cor, marca e modelo da moto.
Pesquisa - Os policiais pesquisaram dezenas de motos no Detran e na quinta-feira chegaram à moto Cripton registrada em nome do sogro de Xavier. Na sexta-feira e no sábado os investigadores estiveram na rua Rua Catarina Cardieri, em Americanópolis, onde o motoboy mora com a mulher de 22 anos e os pais dela.
Na manhã de domingo, quando voltava para o almoço, os policiais prenderam Xavier. A mulher do motoboy, os pais dela e os vizinhos agrediram os policiais. O sogro, acusando os policiais de prisão ilegal, acompanhou Xavier até a delegacia. Hoje, depois de terem ouvido do próprio motoboy a revelação sobre os estupros estavam decepcionados e envergonhados.
Uma das vítimas de Xavier contou que seu pai durante 15 dias saiu todas as noites na tentativa de encontrá-lo. "Ele ficou vigiando o terreno onde ele abusou de mim mas esse monstro não apareceu", afirmou N.
Outra garota conseguiu escapar nos fundos de um terreno da Rua Eduardo Lobo, na zona sul, saltando um muro de quase 7 metros. Ela caiu em cima do telhado de uma casa e ficou ferida sem gravidade."Graças a Deus consegui escapar daquele criminoso", disse A, secretária de uma multinacional.


