Os funcionários já estavam até se disfarçando de passageiros para tentar pegar o ladrão que fugia pulando a janela do trem em movimento. Ele vinha agindo havia três meses.

No começo da noite de anteontem, Ronaldo Luis da Silva, 27 anos, tomou R$ 272 de duas mulheres e pulou da janela do trem em movimento entre as estações Barra Funda e Júlio Prestes. No entanto, dois seguranças da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) estavam de guarda nos trilhos, justamente para o caso do assaltante saltar do trem. Esse era o trecho em que Silva costumava pular após o assalto e, dessa vez, acabou preso.
Como o detido agia sempre da mesma maneira, todos os 15 seguranças do trecho estavam alertas para novos assaltos. Ele costumava entrar num vagão onde houvesse mais mulheres e crianças, sacava um canivete e fazia alguma passageira refém. Silva, então, ameaçava esfaqueá-la se todos os passageiros não levantassem e colocassem as mãos no fundo do vagão. Em seguida, tomava o dinheiro das pessoas e saltava. Segundo os seguranças, nunca houve reação e o ladrão fugia, em média, com R$ 300 no bolso. ''Nesses três meses, brincávamos dizendo que o homem não pulava: voava'', contou o encarregado de segurança Lins, que teme dar seu nome completo.
Apenas nas últimas três semanas, o ladrão agiu dez vezes. O primeiro caso aconteceu há três meses. Desde então, o assaltante não parou mais. ''Tinha semana que não registrávamos nenhum caso. Mas teve época em que ele roubava dia sim, dia não.''
''Antes de começar a assaltar, ele trabalhou um bom tempo como marreteiro dentro do trem. Além da habilidade física, conhece as linhas, vagões e terrenos melhor do que a gente. Trabalho nisso há 17 anos e não arriscaria fazer o que ele faz'', disse Lins.

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