Agência Estado
De Recife
Vinte e quatro trabalhadores sem-terra que participaram de saques a caminhões, na segunda-feira, em Orocó e Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco, foram presos em flagrante, acusados de assalto e formação de quadrilha. Todos estão detidos na cadeia pública de Petrolina, a 774 quilômetros do Recife.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST/PE), Jaime Amorim, advertiu ontem, durante a Marcha dos Excluídos, na capital, que se os presos não forem liberados, a resposta do movimento será rápida, com novos saques ou manifestações em frente à cadeia. ‘‘A retomada dos saques em Pernambuco só depende dos governos’’, advertiu Amorim.
Ele admitiu a possibilidade de uma nova onda de saques, seja para matar a fome dos acampados, que desde maio não recebem cesta básica, seja como ação política para enfrentar a violência contra os sem-terra. ‘‘Além de prender os companheiros como assaltantes, a polícia foi arbitrária em Orocó, por exemplo, quando tirou de dentro dos barracos o alimento que havia sido conseguido com o saque’’, afirmou ele. ‘‘A resposta que temos para a fome, mais uma vez, tem sido a violência.’’
Desde abril, o MST não promovia saques no Estado. Segunda-feira, numa ação simultânea, os sem-terra bloquearam, com correntes humanas, sete rodovias em 10 municípios – do sertão à zona da mata – saqueando feijão, arroz, açúcar, pão, biscoitos e macarrão, entre outros produtos. O governo do Estado confirma cinco saques e não 10, como afirma o MST. Em pelo menos três dos saques, os produtos levados pelos sem-terra foram recuperados pela polícia. O MST não tem estimativa do total saqueado, mas assegura ser insuficiente para atender às necessidades das 18 mil pessoas dos 120 acampamentos do movimento no Estado.
O delegado regional de Petrolina, Joel Venâncio, encarregado do inquérito policial aberto contra os 24 sem-terra, disse que eles devem responder ao processo na prisão porque os crimes de que são acusados são inafiançáveis. Ele explicou que, embora 17 deles tenham atuado em Santa Maria da Boa Vista e os outros 7 em Orocó, municípios próximos, todos eles vão permanecer na cadeia de Petrolina por uma questão de segurança.
Venâncio disse ter encontrado 30 quilos de maconha nas proximidades do acampamento Aracapá, em Orocó, onde estava escondida a carga saqueada e recuperada pela Polícia Militar. Para Amorim, a descoberta da droga não passa de ‘‘armação da polícia’’ para incriminar os sem-terra.
ParáFazendeiros do sul do Pará denunciaram ontem à Superintendência da Polícia Civil, em Marabá, que várias fazendas da região ocupadas por famílias de sem-terra ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) estariam sofrendo ‘‘queimadas criminosas’’. Os principais focos de incêndio estão nas fazendas Cabaceiras, em Marabá, e Santo Antonio, em Parauapebas, invadidas e ocupadas por 1.500 famílias. O fogo seria uma preparação da terra para o plantio.
A direção do MST em Marabá nega que esteja provocando incêndios criminosos na região. O movimento acusa os fazendeiros de fazer isso para incriminar a entidade. ‘‘O Ibam sabe quem devasta e queima e deveria dizer isso publicamente’’, diz o sem-terra Domingos Silva, o Tinta.

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