São Paulo, 23 (AE) - A polícia prendeu no fim da tarde de ontem o estelionatário Domingos Rosolia Neto, de 42 anos, apontado pela polícia como o chefe da quadrilha que lesou em R$ 155 milhões a agência do Banco do Brasil, em Jundiaí (SP), em 1995. Rosolia foi detido ao sair de seu escritório de contabilidade na Rua Artur Ramos, em Pinheiros. Ao ver o delegado Manoel Camassa, responsável pela prisão, cumprimentou o policial e disse que esperava por aquele momento havia alguns meses.
Ele vinha sendo procurado desde 9 de outubro de 1998, quando fugiu do presídio Ataliba Nogueira, em Campinas, onde cumpria 11 anos de prisão: 8 pelo golpe no BB e outros 3 por formação de quadrilha. É o único da quadrilha que ainda tem condenação a cumprir. Os demais, José Roberto di Francisco, João Antônio de Lima, Oswaldo Cavalcanti Maciel e o ex-gerente do banco Carlos Alberto Albiero estão em liberdade condicional, após terem cumprido um sexto da pena.
O grupo, com a colaboração de Alibero, obteve empréstimos de R$ 155 milhões usando documentos de 46 empresas, 21 das quais fantasmas, e as outras em péssima situação financeira, com a maioria dos bens penhorados. Rosolia, que fora para Miami - onde moram sua mulher, Nelma Batista, e duas filhas -, acabou sendo preso pelo FBI, em 7 de maio de 1996, a pedido da polícia de São Paulo. Depois de sete meses na prisão de Miami
foi extraditado para o Brasil.
Rosolia, que cursou a faculdade de administração de empresas até o terceiro ano, declarou que tem 180 dias de prisão ainda a cumprir, pois espera receber benefícios da Justiça. "Meus advogados estão tratando desses detalhes com a Justiça". Alegou ter recebido pouco dinheiro dos empréstimos. "O Banco do Brasil andou dizendo que eu fugi com US$ 80 milhões e quero que provem se isso é verdade".
Rosolia tem passagens por estelionato desde 1998 e disse que ao deixar a prisão vai morar com a família nos Estados Unidos. O banco recuperou menos de 30% do que foi retirado pelo grupo.

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