Curitiba- A Polícia Federal (PF) prendeu anteontem à noite na capital o cidadão norte-americano Leonard Ray Harper Junior, 39 anos, que estava foragido da Justiça dos Estados Unidos, onde é acusado de ter matado uma pessoa em Dallas, no estado do Texas, há dez anos.
Ele estaria no Brasil há pelo menos seis anos e agora aguarda na carceragem da Polícia Federal até que os dois países decidam se haverá ou não extradição.
Na quinta-feira, Harper Junior foi voluntariamente a uma procuradoria de Justiça para fazer o reconhecimento de paternidade da filha de 4 anos que teria com uma brasileira. Apesar de ter informado o nome verdadeiro, ele estava sem qualquer documento de identificação ou de imigração, então foi recomendado a comparecer na sede PF local para que se apresentasse como estrangeiro em situação irregular.
Já na PF, ele foi preso administrativamente para ser deportado. Somente depois de uma busca nos registros da Interpol é que foi constatado que ele era foragido da Justiça norte-americana. Ele admitiu ser procurado, mas não confessou o crime ao delegado Rubens Lopes da Silva.
Em 1999, Harper Junior teria matado a tiros o melhor amigo, Jerry Permenter, por ter este agredido sua namorada, que estava grávida e sofreu um aborto. Ele fugiu do país pouco antes do julgamento. A PF não soube informar ao certo por onde ele esteve entre sua saída dos Estados Unidos, em 2000, e a chegada a Curitiba, em 2004. Ele entrou no Brasil pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, vindo de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Harper Junior recebia mensalmente uma quantia em dinheiro que a família norte-americana depositava na conta de sua ex-sogra. Há poucos meses os depósitos foram encerrados. Ele fazia ''bicos'' de servente de pedreiro e professor de inglês e vivia no bairro Pilarzinho com a ex-mulher, a filha e a ex-sogra. Segundo o delegado Silva, ele era usuário de crack e alcoólatra e teria confessado o assassinato do amigo à mãe da criança.
De acordo com o representante da Interpol no Paraná, Paulo Eduardo Dolci Alves, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi comunicada e pediria, provavelmente ainda ontem, uma ordem de prisão para fins de extradição ao Supremo Tribunal Federal.

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