Presidente Bernardes, SP, 30 (AE) - Um preso foi morto e outro ferido em uma tentativa de resgate, seguida de rebelião, na penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Cerca de 450 dos 769 presos estão rebelados e tomaram quatro agentes de segurança como reféns. O movimento começou às 21h15 de quarta-feira e por volta das 15 horas de hoje um dos reféns foi liberado.
Luiz Paulo Raffaini Júnior, de 36 anos, foi assassinado a golpes de estilete por volta das 11 horas de hoje, pelos outros presos, na cela 36. Ele estava condenado a dez anos de reclusão. Raffaini teve a língua perfurada por um prego, segundo informações de policiais militares.
A rebelião começou com uma ousada tentativa de resgate do preso Marcos Massari, feita por três homens armados de metralhadoras. Segundo a PM, Massari participou do assalto milionário ao Banespa em São Paulo. Ele foi ferido com um tiro por um segurança, passou por uma cirurgia e voltou para a penitenciária. Oito líderes do motim reivindicam transferência , sete para o Mato Grosso e um para Goiás. O diretor da Coordenadoria de Estabelecimentos Penitenciários, Lourival Gomes
chegou às 13h15 ao presídio para negociar com os rebelados. Até o fim da tarde permanecia o impasse e não estava descartada a possibilidade de a tropa de choque da Polícia Militar, com um efetivo de 150 homens, invadir a penitenciária.
Reféns - São mantidos como reféns os agentes de segurança Amauri Ucero, Sérgio Aparecido da Silva e Antônio dos Santos Filho. Leonildo Quirino da Silva, que foi liberado, deixou a penitenciária às 16 horas e não deu declarações.
Resgate- O motim começou com uma audaciosa tentativa de resgate do preso Marcos Massari, feita por três homens armados de fuzis e metralhadoras, que atiraram contra uma das torres de vigilância do presídio. Ele e dez detentos serraram as grades da cela e tentaram escalar um muro. Massari foi ferido com um tiro pelos seguranças da prisão e levado para a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente, onde foi operado. Às 14h ele foi reconduzido para a enfermaria da penitenciária.
De acordo com o comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Augusto Cunha, há suspeitas de que a tentativa de resgate tenha sido promovida por Edson Massari, irmão de Marcos. Um Golf, placa CFO-48-49, de Cotia, abandonado perto da penitenciária, está em nome de Paulino de Jesus Godinho
que declarou ter vendido o veículo para Francisca de Salles Massari, casada com Wilson Massari, outro irmão de Marcos. O número do telefone de Wilson estava no carro.
O oficial informou que os três autores da tentativa de resgate roubaram uma camioneta em Presidente Prudente e seguiram para Presidente Bernardes e de uma estrada vicinal perto da penitenciária dispararam centenas de tiros contra a torre de vigilância. Houve troca de tiros e os três fugiram. Mais tarde a Polícia encontrou a camioneta abandonada e em seu interior foram achados um revólver e farta munição para fuzis e metralhadoras AR-l5.
Não há pistas sobre os três foragidos. Frustrada a tentativa de fuga Roberto Luiz Câmara, conhecido por China e considerado de alta periculosidade, passou a liderar a rebelião, determinando que fosse abertas as celas dos pavilhões dois e três. Os presos aderiam ao motim e ficaram concentrados no pátio interno do presídio.

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