RIBEIRÃO PRETO - A Cadeia Pública de Ribeirão Preto, a 319 quilômetros de São Paulo, registrou ontem o quinto assassinato de presos em menos de quatro meses. Os funcionários conseguiram impedir outras quatro tentativas de homicídio e descobriram. Desde o início do ano, descobriram dois túneis cavados para fuga.
‘‘A situação está insustentável e tememos uma rebelião que possa destruir a cadeia’’, afirma o diretor Luis Geraldo Dias. A cadeia tem 656 detentos para uma capacidade de apenas 198.
Nilton Cesar Luis, de 24 anos, encontrado morto ontem de manhã, tem um perfil comum às outras vítimas: era preso recém-encarcerado, ligado ao tráfico de drogas e foi morto com vários golpes de estilete.
A direção da cadeia suspeita de crime organizado e teme por outras mortes por causa da superlotação. ‘‘Há uma coincidência em torno das mortes’’, diz o diretor da cadeia. ‘‘Acreditamos que há um comando especificando quem deve morrer’’, suspeita.
No mês passado, o diretor encaminhou pedido de interdição da cadeia à Corregedoria dos Presídios. O Juiz-Corregedor em Ribeirão, Luis Augusto Freire Teotônio, acatou o pedido e negociou com o Estado a transferência de 20 presos por semana para penitenciárias estaduais. O acordo foi cumprido apenas na primeira semana.
Anteontem, o Juiz Teotônio recebeu um abaixo-assinado de autoridades civis e militares de Ribeirão pedindo a interdição da cadeia em função das condições precárias.
No mesmo dia, o juiz determinou que 200 presos sejam transferidos até o dia quatro de abril. Caso o Estado não cumpra a determinação, o juiz encaminhará pedido de interdição à Corregedoria Estadual.

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