O londrinense Cesar Senegalha Alvares comprou em 1998 o Clube de Tiro de Apucarana que, na época, funcionava num terreno próximo ao contorno sul de Apucarana. O negócio foi fechado com os ex-proprietários do clube, Miguel Luis Villas Boas e Armando João Vieira de Barros.
Ambos relataram ontem que decidiram se desfazer do clube devido à expansão imobiliária, que inviabilizava a continuidade de suas atividades. ‘‘Uma construtora loteou toda a região, criando o Jardim Catuaí e, a partir daí, com muitas famílias passando a residir lá, não daria para continuar com o estande de tiro’’, contou Villas Boas.
Segundo ele, na compra do clube, além do estande de tiro, Alvares ficou com a máquina de recarga de projéteis e outros equipamentos. Villas Boas explicou que para ter acesso à compra de pólvora, espoleta e chumbo (ponteiro), possibilitando a recarga, o clube tinha uma autorização especial do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIM) do Exército.
O escrivão da Polícia Civil, Armando João Vieira de Barros, que foi sócio-fundador do Clube de Tiro de Apucarana, também confirmou ontem a transação com Cesar Senegalha Alvares. Os documentos passaram pelo fórum e depois foram registrados em cartório. ‘‘O clube está legalizado, mas o que ele fez a partir do momento em que assumiu a propriedade é de exclusiva responsabilidade dele’’, afirmou o policial.
Barros revelou ainda que a recarga de projéteis foi autorizada pelo exército para uso restrito do clube e apenas dentro de suas dependências. ‘‘Quando o clube funcionava sob a nossa responsabilidade, o estande de tiro servia para prática e treinamento de policiais e outras pessoas, mas somente com armas leves’’, contou o policial.
O proprietário do terreno onde funcionava o Clube de Tiro de Apucarana, Frederico Konrad Filho, mostrou ontem para a Folha o contrato de locação do imóvel firmado com Cesar Senegalha Filho. ‘‘Ele utilizou o local por 12 meses e depois transferiu tudo para Londrina’’, contou.
A Folha não conseguiu contato com o responsável pelo setor de fiscalização de produtos controlados do 30º BIM. (Maurício Borges, de Apucarana)

mockup