Dimitri do Valle
De Curitiba
O vendedor de carros Ismael Buono, 27 anos, preso há 18 dias em Joinville (SC), é apontado como um dos elos do tráfico de drogas entre Curitiba e a cidade catarinense. O nome do acusado de ser traficante apareceu durante depoimento do ex-policial civil paranaense Gilberto Chagas Ramos, o ‘‘Marrom’’, à CPI do Narcotráfico, que esteve no Paraná no começo de março. Ele confessou que buscava droga com Buono. A CPI montada em Santa Catarina pretende ouvir Buono na próxima semana.
A localização e prisão do vendedor de carros foram feitas por acaso. Buono foi cobrar uma dívida com um tio, Josias Buono, no dia 20 do mês passado. Os dois discutiram e travaram um tiroteio que mobilizou a polícia. Preso, o vendedor negou ser traficante, fato confirmado pelo tio, que é seu desafeto. Josias está sob proteção da polícia em Santa Catarina e Buono foi transferido para Florianópolis por medida de segurança.
Buono nega envolvimento com o tráfico. Sem passagens anteriores pela polícia, ele teria proteção de policiais civis de Joinville para traficar drogas. A Secretaria da Segurança Pública de Santa Catarina determinou uma devassa nas atividades da Polícia Civil daquela cidade, prendendo, inclusive, alguns policiais. Os nomes não foram divulgados.
Em depoimento à CPI do Narcotráfico, o ex-policial ‘‘Marrom’’, disse que fazia ‘‘quatro ou cinco viagens por mês’’ para buscar cocaína – ‘‘sempre 10 quilos’’ – de Buono em SC. O acusado serviria como alternativa de abastecimento dos traficantes de Curitiba. O objetivo era despistar policiais envolvidos em investigações do comércio das drogas.
Segundo ‘‘Marrom’’, a droga era entregue para o investigador Samir Skandar (preso na Delegacia Regional da Polícia Federal, em Curitiba), que trabalhava no 12º Distrito Policial, no bairro de Santa Felicidade. ‘‘Marrom’’ contou aos deputados que recebia de R$ 800,00 a R$ 1 mil pelo ‘‘trabalho’’. O traficante afirmou que a cocaína trazida de Santa Catarina seria transportada para a Itália e o Oriente Médio.

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