São Paulo - A Polícia Federal de São Paulo prendeu ontem de manhã Félix Luís Santana Arencibia, um dos sócios da Indústria Cataguazes de Papel, de Cataguases (MG). Ele e João Gregório do Bem tiveram a prisão preventiva decretada na última quinta-feira pelo juiz da 1 Vara Federal de Campos (RJ). Os dois são acusados de praticar crime contra o ambiente.
Arencibia foi preso no centro de São Paulo. Ele foi levado para a Superintendência da PF. Seu sócio continua foragido. A indústria deixou vazar substâncias tóxicas nos rios Pomba e Paraíba do Sul, que abastecem regiões norte e nordeste do Rio. Cerca de 600 mil pessoas foram atingidas e tiveram o abastecimento de água interrompido.
Para decretar a prisão, o juiz baseou sua decisão em três pontos: a empresa estaria operando normalmente mesmo com o risco de um novo despejo de rejeitos calculado em 700 mil litros; a possibilidade de fuga dos dois diretores e o clamor popular.
Ontem, a mancha negra de produtos tóxicos que vazaram da Cataguazes chegou ao Estado do Espírito Santo. A mancha ameaça pelo menos 100 quilômetros de costa. Na cidade capixaba de Marataízes pode afetar o projeto Tamar que monitora a desova de tartarugas na Bacia de Campos e no litoral do Espírito Santo.
Pescadores das regiões norte e noroeste do Rio, prejudicados pelo vazamento de rejeitos tóxicos nos rios Pomba e Paraíba do Sul, começaram a ser cadastrados ontem. O trabalho servirá de base para que o Ministério do Meio Ambiente indenize com um salário mínimo, durante três meses, os pescadores afetados. O cadastramento, realizado por técnicos das Secretarias de Agricultura e da Defesa Civil, será feito até o próximo dia 18, segundo o governo do Estado.

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