Preso casal que matou menino de 6 anos
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sexta-feira, 16 de maio de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O caminhoneiro José Maurílio Soares Nascimento, 28 anos, admitiu ter espancado o enteado hemofílico, que morreu. Com a mulher, Andrea Cristina Ferreira, 21 anos, ele jogou o corpo do menino numa ribanceira à margem da rodovia Mogi-Bertioga.
O corpo de Bruno Gabriel Ferreira Silva, 5 anos, foi encontrado no dia 10, véspera do Dia das Mães. O casal, já com a prisão temporária decretada, foi localizado pela polícia, às 22h de quinta-feira, em São Bernardo (ABC).
Bruno sofria de hemofilia, doença que impede a coagulação do sangue. Um machucado superficial pode até matar um hemofílico. Na tarde do dia 9, Nascimento surrou o menino com uma mangueira. Ele passou mal, mas o casal evitou levá-lo ao hospital, com medo de ser acusado de maus-tratos. Horas depois, o garoto não resistiu e morreu.
Nascimento admitiu a agressão, mas negou que isso tenha matado o enteado. ''Eu não bati para matar. Bati como qualquer pai bate'', disse. Andrea, mãe de Bruno, vivia com Nascimento, no Guarujá, havia quatro anos. Segundo a mãe, o caminhoneiro agredia o menino frequentemente. Vizinhos do casal disseram que o padrasto do garoto bebia muito, e, quando bêbado, ficava violento e batia muito na criança.
Andrea afirmou que, após a surra, pediu ao marido para levar Bruno a um médico. O padrasto alegou que a recusa foi dela. O garoto morreu pouco depois. Nascimento, em seguida, pegou o Santana de um amigo e foi até a Mogi-Bertioga. Andrea estava ao lado dele, segurando a única filha do casal, de um ano, nos braços. O cadáver do menino ficou no banco traseiro, enrolado num cobertor. Próximo ao km 82 da rodovia, ele estacionou o carro e jogou o enteado de uma ribanceira de 15 metros de altura. No dia seguinte, o casal fugiu do Guarujá e se escondeu na casa de um amigo no ABC.
A polícia os encontrou após denúncia anônima. ''Nem um animal faz uma coisa dessas'', disse Andrea, que confessou o crime, assim como Nascimento. A filha do casal foi encaminhada ao Conselho Tutelar.


