São Paulo, 22 (AE) - O preso argentino Humberto Paz, que havia reiniciado uma greve de fome há dois dias, teve uma crise hipertensiva no fim da tarde de hoje e foi transferido à noite para o Hospital do Mandaqui, com suspeita de enfarte do miocárdio.
Humberto e o irmão Horácio Paz, os dois líderes do sequestro do empresário Abílio Diniz, tentam a transferência para a Argentina, como já ocorreu com os demais sequestradores.
Segundo Ricardo Cypriani, diretor clínico do Centro de Observação Criminológica (COC), responsável pelo atendimento médico de Humberto, o preso estava apresentando ciclos hipertensivos desde o início da greve e hoje teve uma forte crise de hipertensão, como reação aguda ao estresse que estava passando. "O quadro é estável, mas é prematuro dizer se poderá piorar." Vários exames seriam feitos esta noite para avaliação da gravidade do quadro.
O Ministério da Justiça informou que a transferência dos sequestradores do empresário Abílio Diniz depende de o governo argentino enviar um documento ao Ministério das Relações Exteriores informando que o texto do tratado também já foi aprovado na Argentina.
A informação do ministério foi dada ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele conversou ontem com o secretário substituto da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, que lhe enviou um documento com seis pontos explicando a posição do governo brasileiro.
Além do contato com o Ministério da Justiça, o senador também se reuniu com o embaixador argentino, Hugo Jorge Herrera Vegas, para tratar do caso. Humberto e Horácio querem ser transferidos para a Argentina, onde cumpririam o resto de suas penas, de 18 e 17 anos de prisão, respectivamente. Eles são os últimos dos sequestradores que ainda permanecem presos no Centro de Observação Criminológica (COC), no Carandiru.
Os dois canadenses e os cinco chilenos que participaram do crime, ocorrido em novembro de 1989, já foram transferidos para seus países. O único brasileiro do grupo, Raimundo Rosélio Costa Freire, foi transferido para seu Estado natal, o Ceará, onde recebeu liberdade provisória.
"Se a lei fosse cumprida e nós estivéssemos em liberdade condicional, a diplomacia não teria de fazer a função da Justiça", dizem os presos num comunicado divulgado pelo comitê de apoio. O juiz Otávio Augusto Machado de Barros Filho, da Vara das Execuções Criminais, criticou ontem a greve de fome. "Eles deviam aguardar a aplicação da lei."

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