Preso acusado de vender celular para detentos
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segunda-feira, 05 de junho de 2006
Equipe da Folha 
Curitiba O homem acusado de vender números de série de telefones celulares para presos e de gerenciar teleconferências entre detentos de presídios de todo o Brasil foi preso em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Jefferson Frank Spagnuolo, 32 anos, tem, na sua lista de clientes apreendida pela polícia, nomes como Marcos Camacho, o ''Marcola'', líder da facção criminosa paulista PCC, e de seu irmão mais novo, conhecido como ''Marcolinha''.
A operação foi comandada pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Na casa dele, foram apreendidas agendas e diversos registros com nomes de presos e valores em dinheiro que poderão levar a polícia a prender outras pessoas que sustentam, do lado de fora, os criminosos que já estão presos.
Jefferson foi preso na última sexta-feira passada, por volta das 6h30, em sua casa, na cidade de Pinhais. Mas somente ontem a polícia divulgou a prisão e apresentou o suspeito para a imprensa.
Segundo o delegado Rodrigo Brown de Oliveira, que comandou a ação, a polícia chegou a Jefferson depois de prender doze integrantes de uma quadrilha que cometia crimes contra funcionários públicos no Paraná. Com um mandado de busca e apreensão, a polícia invadiu a casa de Jefferson e lá apreendeu uma pistola calibre 635, 22 aparelhos celulares e o computador em que eram feitas as clonagens de linhas e o gerenciamento das teleconferências entre os presos.
De acordo com o delegado, Jefferson admitiu que conseguia os números de série através de outras quadrilhas responsáveis por captar essas informações em aeroportos de todo o país. Depois disso, ele fazia contato por telefone com os presos e vendia as informações.
''Os presos possuem grande conhecimento técnico da programação dos celulares que, muitas vezes, apenas os operadores das empresas de telefonia têm. Por isso, era só passar o número de série que o restante os presos faziam, disse o delegado, por meio da assessoria de imprensa da Sesp.
Segundo o depoimento de Jefferson, ele vendia no mínimo duas linhas telefônicas para presos de todo o país por dia. Cobrava R$ 25 por número de série. ''Ele disse que se tivesse dez números de série, venderia todos no mesmo dia'', explicou o delegado.
Além de vender os números, Jefferson também é acusado pela polícia de gerenciar teleconferências entre os presos de todo o país. ''Ele passava o dia em sua casa, na frente do computador servindo como um braço técnico do crime organizado'', disse.
Jefferson é nascido em Santos (SP) e já tem passagem pela polícia por roubo. Agora, ele será indiciado pelos crimes de porte ilegal de arma, estelionato (por fraudar os sistemas das operadoras de telefonia), receptação e formação de quadrilha.


