Preso acusado de matar tenente em favela
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 26 (AE) - A Polícia Militar prendeu hoje o homem acusado de assassinar o tenente Júlio Cesar Santos Corpas, de 27 anos, no domingo à tarde. Antônio Lima de Queiroz, o Conca
foi reconhecido como o homem que acertou um tiro na cabeça de Corpas, na entrada da Favela do Parque Novo Mundo, zona norte. O tenente, que estava com uma submetralhadora, não atirou porque entre os dois havia mulheres e crianças. "Não matei ninguém."
Queiroz, de 31 anos, já estava sendo procurado por outro crime: ele foi apontado em um inquérito do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa como o líder do bando que matou três pessoas em uma chacina, em janeiro deste ano, num conjunto Cingapura, no Parque Novo Mundo.
"Além desse crime, suspeitamos da participação dele no assassinato de um policial do Grupo de Operações Especiais (GOE, da Polícia Civil)", disse o delegado Luiz Jesus de Castro, do 90.º Distrito Policial. Após o assassinato do tenente, policiais militares da equipe de homicídios da Corregedoria da PM obtiveram a fotografia do suspeito. Em São Miguel Paulista, na zona leste, obtiveram a informação de que o suspeito estava escondido na casa de um tio, em Guarulhos.
Quando os policiais chegaram à casa, o acusado tentou livrar-se da pistola semi-automática calibre 9 milímetros. "Queria escapar do flagrante de porte ilegal de arma." Os policiais detiveram-no, encontraram a arma e levaram-no à delegacia. Segundo a PM, ele fazia uma festa de despedida com amigos e parentes, pois fugiria para sua cidade natal, Jaguaribara, no Ceará. "Não tinha festa coisa nenhuma", disse ele.
A pistola já foi enviada ao Instituto de Criminalística, onde será verificado se ela foi a arma usada no crime. À tarde, Queiroz foi reconhecido pelos dois soldados que estavam com o tenente na hora do crime. Segundo eles, o acusado recebeu ordem para parar, mas sacou a arma e atirou. Eles esconderam-se atrás de um caminhão; o tenente, atrás de um carro. Mesmo assim, o oficial foi atingido pelo bandido, que fugiu.
Temor - Queiroz não deverá ficar na cadeia do 90.º DP, pois a polícia teme que ele seja resgatado. Nessa mesma delegacia, estão dois outros acusados de pertencer ao grupo de Queiroz. Ambos estão presos sob a acusação de participar da chacina no Cingapura. "Desde fevereiro, estou fora da região", disse o acusado.
Ele afirmou que decidiu esconder-se após sua fotografia ser divulgada por um programa de TV. "Tive de vender um bar para pagar advogado." Queiroz afirma sempre ter trabalhado. "Fui auxiliar de tráfego em uma empresa de ônibus por cinco anos." Para a polícia, além dos assassinatos, ele está envolvido com o tráfico de drogas e com o roubo de cargas.


