São Paulo, 09 (AE) - Entidades que defendem os direitos das crianças e dos adolescentes denunciam que mais um presídio será usado para internar jovens da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). Na sexta-feira, representantes do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), Pastoral do Menor e Centros de Defesa do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) vistoriaram a prisão de Parelheiros, na zona sul da capital.
Eles afirmam que, apesar de o prédio estar em fase final de reforma, continua sem condições de abrigar programas pedagógicos e cursos profissionalizantes para menores, além de não oferecer espaço para planos de integração comunitária entre os internos. Há informações de que o presídio estaria sendo preparado para receber adolescentes da Unidade Prisional 7 de Santo André, conhecido como Dacar-7, e do Centro de Observação Criminológica (COC). A remoção dos internos seria feita já no próximo mês.
Masmorra - "Temos medo de que aquilo se torne uma grande masmorra e seja o túmulo do ECA", afirmou o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Menor. Para ele, um sinal de que dali não sairão coisas boas é o fato de a transferência dos menores para o presídio estar sendo usada como ameaça aos internos. "Os monitores sempre dizem aos meninos: Cuidado que você vai de bonde para Parelheiros".
O coordenador estadual do MNDH, Ariel de Castro Alves, teme que a remoção dos adolescentes para o presídio distancie ainda mais os menores infratores do caminho da recuperação e reintegração social. "Encontramos placas de que ali será uma nova unidade educacional da Febem e fomos informados de que a transferência de adolescentes para lá será feita na calada da noite", afirmou Alves. "Isso é uma verdadeira aberração e demonstra mais uma vez que o governador do Estado de São Paulo, Mário Covas, está pondo fogo no Estatuto da Criança e do Adolescente".
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, que responde pela Febem, não quis se pronunciar sobre o assunto.

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