Presidentes do Egito e Líbano denunciam ataques israelenses
Beirute, 19 (AE-AP) - O presidente egípcio, Hosni Mubarak, realizou hoje (19) uma histórica visita ao Líbano para demonstrar que o Egito está solidário com o Líbano frente às ameaças de novos ataques israelenses.
Num comunicado conjunto divulgado depois de conversações, Mubarak e o presidente libanês, Emile Lahoud, disseram que apóiam o direito das guerrilhas libanesas de lutar contra a ocupação israelense de um encrave no sul do Líbano.
"A resistência é um resultado, não uma causa, da ocupação", afirmaram os líderes.
Os dois presidentes condenaram os ataques aéreos israelenses contra a infra-estrutura civil libanesa de 8 de fevereiro e as ameaças de Israel de promover novos bombardeios aéreos caso seus soldados sejam atacados no sul do Líbano.
O comunicado considera que as ameaças israelenses são "contrárias às leis e normas internacionais, especialmente quanto à contenção no uso da força militar e ao se alvejar civis".
Israel tem dito que os ataques foram uma retaliação a ações guerrilheiras do Hezbollah contra soldados israelenses numa zona de ocupação fronteiriça no sul do Líbano. Sete soldados de Israel já foram mortos em tais ações desde 25 de janeiro.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, tem ameaçado com mais represálias se os ataques guerrilheiros prosseguirem e o ministro do Exterior David Levy garantiu que o Líbano irá "arder" se guerrilheiros do Hezbollah lançarem foguetes contra o norte israelense.
Lahoud e Mubarak disseram que "a fundação primária da paz" no Oriente Médio baseia-se na completa retirada israelense de terras ocupadas no sul do Líbano, nas Colinas de Golan sírias e nos territórios ocupados palestinos, assim como no direito dos refugiados palestinos retornarem para suas casas.
O comunicado afirma que o Egito respalda o Líbano e seu povo. Ele pede um "necessário apoio árabe para ajudar a reforçar a estabilidade (do Líbano) que reflita a dignidade árabe".
Mubarak desembarcou em Beirute no começo da manhã de hoje numa visita que não havia sido previamente anunciada, a primeira de um presidente egípcio à capital libanesa desde sua independência em 1943. Ele partiu depois das conversações.





