O presidente sul-coreano Kim Dae-jung ganhou ontem o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços conciliadores com a Coréia do Norte, que alentaram as esperanças de paz na última fronteira da Guerra Fria.
O presidente de 76 anos, que apareceu como símbolo da luta pela democracia durante 40 anos de oposição a um regime autoritário, disse querer compartilhar tal honra com seu povo. ‘‘Agradeço a todos os cidadãos que amam a democracia e os direitos humanos, que apoiaram esses esforços com nosso povo’’, disse por intermédio de seu porta-voz, Park Joon-young. ‘‘Seguirei adiante com meus esforços pelos direitos humanos, pela democracia e pela paz na Península Coreana, na Ásia e no mundo.’’
As duas Coréias, separadas por uma guerra ocorrida há meio século, melhoraram suas relações no último mês mais do que nos últimos 20 anos. Seus exércitos ainda são separados por uma fronteira fechada, mas os ânimos na península se contiveram.
Após buscar contatos pacientemente durante os dois primeiros anos de presidência, Kim viajou a Pyongyang em junho para reunir-se com o governante norte-coreano Kim Jong Il. Os dois países cessaram suas emissões de propaganda, arranjaram reuniões de famílias separadas, abriram escritórios de união na fronteira e concordaram com a reconexão ferroviária através da fronteira.
Kim ‘‘é crucial para este processo e estamos seguros de que será fortalecido por vencer este prêmio’’, disse Gunnar Berge, presidente do Comitê Nobel, ao anunciar a premiação. ‘‘Agora existe a esperança de que a Guerra Fria também terminará na Coréia.’’
O prêmio deste ano é de 9 milhões de coroas suecas, equivalente a US$ 915.000. O anúncio foi celebrado com júbilo na Coréia do Sul, onde a imprensa especulava havia semanas que seu presidente venceria o prêmio.
Redes de televisão interromperam suas programações para informar ao vivo desde Oslo. As pessoas se aglomeravam em torno de televisores, gritavam e aplaudiam ao escutar o anúncio. Os jornais dedicaram suas primeiras páginas e uma empresa particular promoveu um espectáculo de fogos de artifício sobre
Seul.
Kim Dae-jung guarda uma biografia de militância pela democratização de seu país, o que lhe valeu o apelido de ‘‘Nelson Mandela coreano’’. Ele iniciou sua carreira política como parlamentar em 1961. Dez anos depois, esteve a ponto de derrotar o autoritário Park Chung-Hee. Como opositor, passou mais de sete anos no cárcere ou em prisão domiciliar e exilou-se durante quatro anos. Seu único mandato presidencial, de cinco anos, foi iniciado em 1998.