Passados três meses do fim do incêndio florestal em Roraima, o governo reconheceu que cometeu dois erros à época: não ter um sistema de monitoramento prévio que permitisse avaliar a extensão do fogo e não ter reagido de forma rápida a ele.
‘‘Há males que vêm para o bem’’, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, ao reconhecer que foi tomado de surpresa e que soube inicialmente pela imprensa da dimensão do incêndio em Roraima - e prometer que isso não se repetirá. FHC aproveitou o fato de agora estarem ocorrendo incêndios florestais na Flórida (EUA) para ironizar as críticas que recebeu na época do incêndio em Roraima. ‘‘Evidentemente, lá ninguém pensa que o presidente Clinton seja responsável pelo fogo na Flórida, porque toda a gente (de lá) sabe que isso é um fato natural que ocorre.’
Na reavaliação feita ontem, na presença de cinco ministros, do governador do Estado e de parlamentares da região, sobraram críticas à imprensa e mesmo a organismos internacionais pela avaliação exagerada dos estragos feitos pelo fogo em Roraima. Segundo dados preliminares do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), devem ter sido atingidos pelo fogo entre 3.000 e 3.500 quilômetros quadrados de florestas - e não 10 mil, como foi divulgado à época por entidades como o Inpa (Instituto de Pesquisa da Amazônia).
A análise final do Inpe deve ser concluída em agosto ou setembro, pois depende do fim do período de chuvas na região. Segundo avaliação de impacto ambiental feita por amostragem pelo Ibama, apenas 1,5% das florestas atingidas pelo fogo tiveram queima total. Em 79,5% da floresta, segundo o Ibama, os danos causados pelo fogo atingiram o chamado sub-bosque (vegetação abaixo das copas das árvores). E apenas 10% das árvores altas teriam sido seriamente atingidas. ‘‘Não estamos aqui para simplesmente dizer ‘‘não houve nada em Roraima. Houve, sim. Nós reagimos, tentamos controlar o fogo’’, afirmou FHC. (AF)

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