Rio, 27 (AE) - O presidente nacional do PTB, deputado federal José Carlos Martinez (PR), lançou hoje o nome do ex-prefeito do Rio César Maia à sucessão presidencial de 2002.
O lançamento ocorreu logo depois da solenidade de filiação de Maia ao PTB, de manhã, quando o ex-prefeito criticou os governos municipal, estadual e federal. Maia, que garante só pensar na eleição à prefeitura carioca em 2000, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso aplicou um golpe "sutil" ao lutar pela aprovação da reeleição.
"Denunciemos o neogolpismo latino-americano, seja aberto, como o peruano; seja implícito, como o venezuelano; ou seja sutil, com a mudança das regras eleitorais no meio dos mandatos", afirmou, durante cerimônia na sede regional do PTB, no centro do Rio, onde também se filiaram dois deputados federais, dois estaduais e quatro vereadores vindos do PFL, partido do qual Maia se desligou semana passada, depois de uma briga com o prefeito Luiz Paulo Conde.
Há cerca de três meses, o PTB vem adotando uma linha de independência política em relação ao Palácio do Planalto e Maia demonstrou estar afinado com o projeto. "Defendemos uma linha que não é uma oposição cega, nem apoio subserviente ao governo federal", afirmou. "O País tem de crescer e criar empregos, e não há como isso ocorrer num cenário decorado com taxas de câmbio bêbadas e juros de agiotagem." A solenidade de hoje marcou o fim de uma longa briga entre Maia e Conde, ex-afilhado político dele, pela disputa do controle do Diretório Municipal do PFL visando à sucessão de 2000. O ex-prefeito tentou, sem êxito, uma intervenção nacional no PFL carioca para neutralizar a candidatura de Conde à reeleição. Antes de se abrigar no PTB, o terceiro partido dele - pertenceu ao PDT e ao PMDB -, Maia sondou o PSDB, o PPB e o PPS.
"A entrada de César reforça o sonho do PTB de disputar as eleições em todas as capitais do Brasil com chances de vitória", comemorou Martinez. Segundo o presidente do PTB, além de Maia, no Rio, o partido terá José Richa, ex-PSDB, como candidato à prefeitura de Curitiba, e o senador Carlos Wilson (PE), que também deixou o ninho tucano, para disputar a sucessão municipal em Recife.
"César Maia e Carlos Wilson são grandes pensadores, são homens capazes, para ajudar o partido a refletir nesse momento em que estamos reconstruindo a história política do trabalhismo para 2002", afirmou Martinez.
Em discurso, Maia disse que a prefeitura do Rio está lançada num "oceano de irregularidade" por causa da "falta de controle" da gestão financeira. Apesar da crítica, o ex-prefeito disse estar disposto a fazer uma aliança com o PFL de Conde, além do PSDB, PMDB e PPB, contra o "neopopulismo indefinido" representado pelo governador Anthony Garotinho (PDT) e a frente de partidos de esquerda que o sustenta - PSB, PC do B, PCB e PT.
"Se nós não tivermos juízo e não fizermos essa aliança nas eleições, o eleitor a fará através do voto útil", disse. Por enquanto, segundo Maia, PMDB, PSDB e PPB estão discutindo programas e idéias conjuntas, sem que, para isso, descartem as candidaturas próprias à sucessão municipal. "Ninguém vai abrir mão de sua candidatura até abril ou maio do ano que vem porque só lá teremos a avaliação da densidade eleitoral de cada um", afirmou.

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