ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, ordenou ontem ao Exército a intervenção e destruição dos portos e depósitos instalados no rio Paraná, fronteira com o Brasil, em uma medida considerada de apoio à campanha contra o contrabando impulsionada pelo governo brasileiro.
O intendente (prefeito) da Ciudad del Leste, Javier Zacarías, informou que a decisão de Duarte inclui ainda uma ordem à Direção de Migrações paraguaia no sentido de que expulse os trabalhadores brasileiros, empregados no comércio. Estes trabalhadores, cerca de 10 mil, cruzam diariamente a fronteira para ocupar seus postos como dependentes do comércio.
Inúmeros revistas com a presença de promotores de Ciudad del Este foram registradas ontem. ''Agora o Brasil já não pode dizer que apanhamos da ilegalidade'', destacou o intendente Zacarías, que classificou de hipócrita a atitude do Governo brasileiro de restringir a passagem de mercadorias.
O chefe da comunidade e os representantes das forças vivas da região do Alto Paraná visitarão o presidente Nicanor Duarte para lhe pedir a intermediação ante o governo do Brasil com fim de obter um alívio dos rigorosos controles do outro lado da fronteira.
A polícia brasileira e o Escritório de Rendas (encarregado da alfândega) bloquearam há mais de duas semanas a passagem das chamadas sacoleiras (pequenos contrabandistas brasileiros) com mercadorias no Paraguai. A medida já produziu perdas importantes no comércio fronteiriço, da ordem de 12 milhões de dólares, segundo autoridades alfandegárias.
O administrador da Alfândega da Ciudad del Este, Elio Cabral, disse que há uma ordem estrita para impedir o trânsito irregular de cigarros até o Brasil. Funcionários da alfândega, apoiados por militares e policiais, recolheram todos os cigarros que estavam preparados em plena rua para serem contrabandeados ao Brasil. Pelo menos 15 jovens, em sua maioria adolescentes, foram detidos.
O Executivo paraguaio anunciou a criação de um fundo de compensação para ajudar os paraguaios que ficarem sem trabalho em Ciudad del Este devido ao controle imposto pelo Brasil ao comércio de alguns produtos da zona franca. O dinheiro virá do Ministério da Fazenda, de Itaipu e não é descartado que do próprio Governo brasileiro.

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