Presidente indonésio retira exigência de renúncia contra Wiranto
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Pepe Escobar 
Bangcoc, 13 (AE) - Em mais uma espetacular reviravolta, o presidente indonésio Abdurrahman Wahid voltou ao país depois de um périplo de duas semanas por Europa e ásia, e após uma reunião crucial resolveu manter o general Wiranto em seu cargo de ministro coordenador de assuntos de Política e Segurança.
Há duas semanas Wahid vinha pedindo a renúncia de Wiranto, depois que uma comissão indonésia sugeriu a implicação do ex-chefe das Forças Armadas na violência que devastou o Timor Leste em 1999.
Desde o fórum de Davos, Wiranto vinha sendo demitido por controle remoto de vários pontos do planeta - um processo acompanhado com alarme por toda a comunidade internacional. Durante essas duas semanas, Wiranto fingiu-se de surdo.
O consenso generalizado é que do confronto Wahid-Wiranto depende o futuro democrático da Indonésia. A justificativa de Wahid para a manutenção do ex-protegido de Suharto parecia inacreditável: "Ele prefere um processo legal. Tenho certeza de que ele não quer ver sua carreira manchada."
Até a noite de sábado, a demissão de Wiranto era praticamente certa. Wahid passou um dia frenético em Bangcoc, participando da conferência da Organização das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), e encontrando líderes de toda a ásia.
Antes de voltar a Jacarta, Wahid assegurou a um batalhão de repórteres que a decisão de renunciar cabia ao próprio Wiranto. "Se ele não renunciar, vou lhe arrumar um lugar, mas não em meu gabinete."
Hoje pela manhã, enquanto o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, dizia em Bangcoc que "o assunto deveria ser resolvido o mais rápido possível", Wahid já se reunia em Jacarta com Wiranto, a vice-presidente Megawati Sukarnoputri e o procurador-geral Marzuki Darusman.
E ainda pela manhã veio o anúncio bombástico. Wiranto só será removido de seu cargo se a investigação do procurador-geral sobre Timor o considerar responsável.
Wahid nega qualquer acordo para apaziguar os hoje desacreditados militares indonésios - certamente a leitura da maior parte da comunidade internacional, e também do líder timorense José Ramos-Horta. Wahid insiste que "mantém a prerrogativa de substituir Wiranto".
O procurador-geral agora vai formar uma equipe de investigadores que devem determinar com precisão se o ex-chefe supremo das Forças Armadas deve ser levado a julgamento pela violencia em Timor.
Antes de suas conclusões, oficialmente não haverá uma decisão sobre o futuro de Wiranto. Wahid - de acordo com uma milenar prática indonésia e asiática - "salvou a face" de seu general. Pelo menos por mais algumas semanas.


