A inauguração da usina Sérgio Motta, em Porto Primavera, na terça-feira, reunirá o presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores Mário Covas (SP), Jaime Lerner (PR), José Orcírio dos Santos (MS), Marconi Perillo (GO) e Dante de Oliveira (MT).
A usina de Porto Primavera é uma das obras mais emblemáticas dos equívocos que podem ser cometidos pela administração pública: demorou 19 anos para ficar pronta, graças a várias interrupções, e custou quase três vezes mais do que o inicialmente previsto. Idealizada em 1980, durante os governos Enesto Geisel (presidente) e Paulo Maluf (governador de São Paulo), a usina carrega ainda o estigma da destruição ambiental. Seu lago, de 225 mil hectares, vai cobrir parte de um dos mais ricos ecossistemas do mundo, o ‘Varjão do Paranᒒ, onde vivem espécies ameaçadas de extinção, como o cervo-do-pantanal, o jacaré-do-papo-amarelo e a onça-pintada.
O evento certamente será marcado por homenagens ao ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em abril do ano passado. Mas a festa poderá ser ofuscada por manifestações, que famílias expulsas pelo lago prometem realizar. As manifestações terão apoio de sindicatos de trabalhadores do setor energético de São Paulo, que se opõem à privatização da usina Sérgio Motta, mais conhecida como Porto Primavera.
O impacto do lago para as famílias será grande. Muitas são integradas por tradicionais oleiros, que dependem das jazidas de argila da região - as maiores do País, segundo Hélvio Rech, diretor-técnico da Fundação Estadual do Meio Ambiente. A Cesp está construindo reservas de argila para compensar as famílias.

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